Uma repetição sem fim

Se você leu minha analise do A Normal Lost Phone o que você vai ler a seguir vai parecer um déjà vu. O jogo é dos mesmo desenvolvedores com uma história e interface diferente. Eu gostaria que os desenvolvedores tivessem acertado dessa vez, mas passaram bem longe disso.

Lembrando que vai conter spoilers na analise, então se você pretende jogar passe bem longe!
Another Lost Phone: Laura’s Story é um jogo desenvolvido pela
Accidental Queens e publicado pela Playdius, Plug In Digital, WhisperGames.
Bom como diria Jack, o estripador, vamos começar por partes, vou dividir essa analise em 4 partes: mecânicas, narrativa, trilha sonora e minha opinião final sobre o jogo.

Mecânicas inovadoras e incríveis
Como as próprias desenvolvedora disseram “Procuramos criar jogos que apresentem novas mecânicas” eu fico um pouco na duvida em relação a isso, o jogo funciona da seguinte forma, você lê mensagens resolve alguns puzzle bem simples que vão necessitar só um pouco de atenção em um detalhe aqui e ali e só.
Eu estou tentando achar aonde está essa nova mecânica, pois acho que já temos outros jogos que tem essa mesma mecânica e esse formato bem simples.
O jogo possui a interface de um celular e você mexe e fuça nas coisas da Laura e só.
Explorando tópicos...
A narrativa do jogo gira em torno da vida da Laura e da questão dela ter um relacionamento abusivo, interessante não é mesmo? Não, é raso e simples demais, é mal explorado e esse “tema” só é em termos explorando lá pro final do jogo.
Eu digo que 80% do jogo é você lendo um monte de conversas inúteis da vida da Laura com um detalhe ali e aqui que vai levar em consideração o relacionamento abusivo que ela está.
Você deve estar achando que eu estou pegando muito pesado com essas criticas e tudo mais não é mesmo? Talvez eu esteja, mas se é para abordar um tema pelo menos faça da forma decente e de a atenção devida para ele.
Como eu falei na analise do A Normal Lost Phone, se você quer criar uma história crie algo novo, algo que mereça ser lido e não algo simples.
“Então quer dizer que relacionamento abusivo é uma coisa simples?”
Claro que não, eu tenho uma noção do quão complicado isso é, mas a questão é:
AS DESENVOLVEDORAS NÃO EXPLORARAM NEM 10% DO QUE DARIA PARA FAZER COM ESSE ASSUNTO E ISSO ME IRRITA DEMAIS.

Eu disse ali em cima que as conversas são inúteis, eu entendo que as conversas estão ali só para a gente conhecer a personagem e entender o que acontece com ela, mas cara 80% do jogo é em cima dessas conversas que não afeta no problema principal que é o RELACIONAMENTO ABUSIVO!
Eu me senti lendo mensagens antigas de mim mesmo, lendo coisas que estão no passado e não faz nenhuma diferença, mas é aquela sensação estranha de ver o quanto mudou deis daquelas mensagens.
Eu garanto que se eu for ler relatos de pessoas que sofrem disso eu vou achar uma história mais interessante que a da Laura. As conversas que você lê dela com amigos e familiares é muito robótica sabe? Eu vou colocar a mesma coisa que eu escrevi na primeira analise.
“Os textos não são tão interessantes, depois de um tempo é simplesmente exaustivo, e o que descobrimos do protagonista soa como textos que pessoas de 50 anos escreveram querendo se passar por jovens. Não parece crível, tudo parece artificial no jogo, na história, no desfecho… É uma história mal contada, as trocas de mensagens soam como propagandas educativas de TV.”
E é isso, não vou mentir o jogo chamou a minha atenção e me manteve interessado por uma hora e meia, mas no fim eu me senti jogando A Normal Lost Phone com uma frustração no peito.
O desfecho é quase o mesmo que o do primeiro levando em consideração como fugir dos seus problemas é sempre a solução, no caso isso é um pouco relativo para o caso da Laura, mas quem jogou os 2 jogos vai entender o que eu quis dizer.
Músicas para ajudar no clima
A trilha sonora é bem parecida com a do A Normal Lost Phone, bem calma e relaxante só para não ficar aquele silêncio. Diferente do primeiro jogo que depois de um tempo no loop das músicas eu comecei a ficar com dor de cabeça, nesse eu eu escutei a trilha inteira e curti bastante.
Meus pensamentos finais

Eu me sinto ate mal depois de criticar tanto o jogo, mas não vou mentir quando eu vi A Normal Lost Phone pela primeira vez me chamou muito a atenção, jogos com foco em narrativa me chama muito a atenção e nem precisa ter uma história profunda com personagens bem elaborado para chamar a minha atenção, mas por algum motivo A Normal Lost Phone não fez isso comigo e foi a mesma coisa com a história da Laura.
“Procuramos criar jogos que apresentem novas mecânicas, explorando tópicos da vida cotidiana e questões sociais, através de ferramentas narrativas inovadoras.”
Essa são as palavras das desenvolvedoras e eu não consigo entender ela de verdade, a ideia é ótima a Accidental Queens tem uma base ótima para fazer esses jogos, a arte é muito bonita, mas parece que na hora de escrever o roteiro eles se perdem completamente e sai algo bem meh.
Eu não sei se é mal desses jogos com uma interface de celular para PC que acabam caindo no mesmo problema, foi a mesma coisa com SIMULACRA e Sara is Missing, a ideia é legal, mas a história fica para trás.
É um jogo bacana, com uma trilha sonora legal e só. Eu queria gostar da mesma forma que eu vi em analises e comentários da Steam de pessoas que falaram que “amaram” o jogo, mas infelizmente eu não consigo.
Nota — 5/10
