48 horas.

há um pouco mais de 48 horas atrás, você me comunicou o nosso fim. assim, como quem não quer nada, você disse não querer mais.

sim, segundo tuas palavras firmes desse término cruel, essa tua escolha não era uma escolha tua. foi “necessário”. necessário como nas outras vezes em que partiu?

tu se foi. mais uma vez, recolheu cada pedacinho teu que já morava em mim, e foi. sem olhar pra trás. por quê?

acabou com os nossos planos, o nosso casamento, filhos, domingo de filme e beber até cair. vou ter que fazer isso sem você.

há 48 horas, eu tô evitando pensar em todos os indícios de que partiria a qualquer momento. mas tá difícil. tu me deu todas as dicas, e eu não pude ver.

não vi por estar cega. cega de amor por alguém que eu mal podia ver. mal podia ver o que tu dizia sentir, mal podia ver o que se escondia atrás das palavras bonitas que dizia.

há 48 horas, me vi relendo todos os textos que te escrevi, inclusive as 160 páginas que salvei no meu notebook antes de passar pro manuscrito do teu presente. era lindo demais pra ser verdade.

ouvindo a playlist que te fiz, as 91 músicas que me faziam pensar em você, cada uma tinha um motivo para estar ali. durante 1 ano, cada música me fez te sentir mais perto, em alguma situação. e eu me lembro de todas.

e ao ouvir todas elas, vi o quanto te fiz presente, mesmo que essa nem fosse tua vontade. eu tentei por nós duas.

há 48 horas, percebi que amor não é o bastante, e eu não mereço um amor como o teu.

há 48 horas, descobri o verdadeiro significado de amar, te deixando finalmente partir.

tenho certeza de que nas próximas 24, 48, 72, 10000 horas, eu ainda vou lembrar de algum detalhe teu. e vai doer. mas vai passar. um dia, sei que vai passar.

a memória consegue ser uma das maiores habilidades do nosso corpo. elas são intensas e nos tiram milhares de lágrimas. mas elas se perdem no tempo, passam a ficar confusas, até se apagarem de vez.

e esse vai ser o fim da nossa história.

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