sol.

era chuva quando te vi pela última vez. talvez, o universo já soubesse da tua partida. choveu forte, os raios provavelmente eram avisos de que algo ruim estava para acontecer.

te vi. e como num piscar de olhos, todas as nuvens desapareceram, e o céu estava ali. azul. era um azul que combinava totalmente com o teu tom de pele, com o teu cabelo, com a tua roupa. era o sol mais radiante que eu já vi nessa cidade. tu.

mas quem a gente poderia enganar? depois de uma longa tarde de calor, a chuva sempre volta em peso. o sol partiu, levou todos os raios no bolso. não pensou na escuridão que me deixaria. ainda não era a hora de se pôr.

as nuvens tomaram conta. nada parecia tão claro depois disso. minha visão perdeu a nitidez de tudo o que estava acontecendo. era fim de tarde, talvez fosse hora de escurecer. foi a última vez que te vi raiar.

lembro bem das gotas caindo, era difícil distinguir a chuva das minhas lágrimas. me arrisquei. tive contato direto com o sol. e me queimei. queimaduras de milésimo grau, que até hoje não cicatrizaram.

descobri que não existe vida por aí, sol. descobri que você nunca vem pra ficar, da pior maneira. e hoje, descobri que eu mereço uma galáxia inteira. não só um planeta.

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