Avise-me quando chegar!

Hoje tinha um trabalho para terminar com uma amiga e ela (dois anos mais nova) veio até a minha casa, mas antes disso mandou uma mensagem dizendo: “Depois alguém pode me trazer em casa?” eu disse que sim sem problemas e pensei que bobagem pois moramos algumas quadras de distancia, não chega a ser 20 minutos a pé e relacionei isso ao fato de que ela era mais nova.

Por volta das dezoito e trinta ela já estava aqui, começamos a escrever mas faltava algo, em mim claro! Logo pedi licença para a convidada e fui ao mercado, voltei com uma garrafa de vinho (quente) que foi consumida em menos de uma hora, e até mais rápido que o trago do vinho o trabalho foi sintetizado. Oito e meia da noite, fui acompanhar a garota até sua casa, fomos conversando sobre relacionamentos, pois a mesma havia sido pedida em namoro naquela tarde. Chegamos a sua casa e paramos para finalizar nossa conversa, não passava das vinte uma horas nos cumprimentamos e quando ela estava adentrando me gritou: — Assim que chegar em casa me mande mensagem para eu saber que chegou bem viu?! — Isso foi uma tapa na minha moral. Quando foi que perdi o amor na vida? O cuidado comigo mesma? Digo isso, pois vez ou outra eu saio no meio da madrugada para pensar e volto apenas com o sol, quando posso muito bem pensar na cama, em casa, no quintal, mas o problema não é só isso, se eu voltasse sóbria ainda seria aceitável, porém sempre tem um copo, duas balas, três doces, quatro carreiras, cinco picadas e no dia seguinte dez quilômetros de solidão.

Quando foi que o role com os “amigos” se tornou perigoso pois eu não tinha mais condições de cuidar de mim mesma? Do meu corpo e sanidade. Eu não sei onde esse caminho pode me levar, mas que por ele não vou é certo, claramente correto. Não sei você mas minha corja foi atingida hoje, com uma pequena chamada de preocupação, e tu? Vai esperar o que para notar que sua necessidade e tua aflição tirou-te o amor na vida? O tempo, o processo. Por um acaso se lembra da ultima vez que teve saudade de um momento em que esteve só? Digo só, mas consigo. Você vive mesmo de pessoas, vício e tangibilidade biológica? Tente não fazer isso.

Substituição é uma boa alternativa amigo. Romance por amizade, prazer por dor, brisa por poesia, chocolate por cacau e assim sucessivamente até que chegue na mais dolorosa delas: Amor alheio por amor próprio, difícil, contudo não é impossível. Essas mudanças constituem uma intensa sintonia que te preencherão mais rápido do que tua desintoxicação. Repense suas escolhas antes que não possa mais escolher e seu controle biológico se programe para uma autodestruição. Por isso, agora já em casa aviso que cheguei do que já não me pertence mais eu me livro.

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