Carol Pereira
Aug 26, 2017 · 2 min read

13 whole years.

Pelos inteiros 13 anos desde a ultima vez que nos vemos eu jamais, jamais, imaginei que estaríamos tão próximos assim. Não entendo como isso aconteceu.

Lá estava eu, no meu usual banco do parque observando o obsoleto grupo de apoio a pessoas que possuem alguma… diferença, digamos assim. Do nada, como se fosse o Mario, aparecestes ao meu lado. Estranharia se não fosse a magnitude do momento. 13 whole years, holy shit. Talvez seja minha diferença pregando uma peça em mim. Não me importei, de qualquer forma.

E assim seguimos pelos próximos meses. Visitamos àqueles incríveis e simples lugares que nós costumávamos ir quando éramos crianças. Fomos até a lanchonete do velho Matias mas não tomamos o milkshake de morango. Ora, somos adultos agora, tomamos então os cafés com nomes chiques que não gostamos e não chegam aos pés do milkshake.

Não quis lhe contar sobre como sou e como vivo, apesar de você ter me visto e convivido comigo. Você sabe como sou. As vezes as coisas são embaçadas pra mim.

Andamos de bicicleta numa velocidade que jamais poderíamos quando éramos crianças, fomos contra o vento mas mesmo assim você sorria sem medo. Desejo ser assim, sem medo. Talvez eu tenha aprendido um pouco contigo.

Mas estava certo, você de volta era uma peça que minha diferença havia pregado em mim. Estranhamente, enquanto caminhávamos em direção ao velhote do Matias (e seus cafés esquisitos) eu te vi, de longe. Estava diferente do você que estava ao meu lado. Parecia cansada, imersa numa rotina que não suportava, mas precisava viver.

E no embaço da minha mente eu consegui entender. Quem estava ao meu lado não era você, mas minha mente, que de alguma forma estranha me incentivou a reviver tudo que ignorei desde quando você e eu nos separamos. Tudo o que recusei a mim mesmo por anos quando entendi quem eu era.

Ainda me lembro da forma que você me olhou quando disse que iria embora.

Naquele momento eu não quis olhar para lado por medo de perder a ilusão. Porém, fui obrigado a ver como você acena o adeus pra mim. Imediatamente eu fui levado aquele dia em que nos despedimos, aos 10 anos, na escolinha que frequentávamos. Entretanto, dessa vez, você sorria.

Apesar do que aprendi nesses dias especiais e utópicos, não tive coragem de seguir o caminho até o milkshake que compraria e pedir uma conversa. Ainda preso na minha diferença, não consegui ir até lá. Me permiti ser deixado ali, naquela esquina, observando como você levava o peso do mundo nos seus ombros.

E aqui estou eu, de novo, no meu usual banco do parque observando o obsoleto grupo de apoio a pessoas que possuem alguma diferença.

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Carol Pereira

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Estudo design e escrevo uns textões. Ramblings and drama.