Como somos idiotas!

Chego em casa cansado do trabalho e mesmo desejando correr pro chuveiro e depois cama, acabo me sentando em frente ao computador para tomar a dose diária de conexão com o mundo. Dois cliques e eu estou na timeline fervendo de pessoas falando de política, música e algumas desaviadas fazendo seu book de selfie diário. O quanto elas são idiotas.

Notificação chega. É uma cutucada.

Aquela velha suspirada que damos ao saber que alguém perde seu precioso tempo nos dando uma dedada mesmo que virtual. Somos idiotas mESmo. Mais uma troca de likes nas fotos e pronto. Alguém adiciona alguém e do nada começa a nova temporada do seriado “Histórias de Decepção”. Como toda boa série de comédia romântica, você se pergunta: “Quem será o idiota da vez?”

Mais 30 minutos de imensas afinidades recheadas de inúmeros likes nas suas fotos e principais publicações, eis que um deles anuncia a entrada do vilão na história toda: o Whatsapp. Aquele que vai te proporcionar inúmeros momentos de prazer (LITERALMENTE), companheirismo e depois vai te lançar na merda.

E

você

caiu

direitinho.

O quanto somos idiotas. Essa é a verdade. Se nem sua mãe na época de adolescente conseguia ter sorte com os encontros reais (levando em conta que antigamente as pessoas se conheciam da maneira que tem que ser: cara a cara), quem garante que nós que estamos na era de matchs em egos e “gostei” em fotos no Instagram, vai conseguir algo além de uma perca fútil de minutos que poderiam ser usados em coisas mais úteis? (Ler esse texto, por exemplo)? E olhe que minha mãe era linda (e continua sendo). Imagina eu que passo horas escolhendo a foto bacana e o filtro bacana vou ter sorte com um sorriso bonito que se chegou no meu inbox me chamando pra sair e me chamando de ~gato~ (não gosto de gatos, desculpe desapontar). Sou idiota mesmo.

Às vezes, para não dizer quase sempre, eu não sei lidar com isso. Eu tô quieto no meu canto, na minha santa paz, na minha vidinha de casa-trabalho-faculdade-academia e do nada uma barba com uns dentes bonitos vem me tirar da zona de conforto. Poxa, eu tava tão quietinho aqui. Sério que você quer me desconsertar também? Não aceito. Mentira. Aceito. Tô no whatsapp já.

Fotos vai, fotos vem. O papo fica mais interessante quando te falam que acha massa a música que você curte ou que gosta do que você escreve lá no Facebook. “Poxa, elx gosta de Freddie Mercury”. Mil caralhos de felicidade! Quem gosta de Freddie é alguém pra se amar pra sempre. Tudo vai bem, até os próximos dois dias.

É como ressaca. No dia seguinte, vem a parte chata. Você nota seus defeitos sutis (mesmo que através de uma tela de celular), ela se mostra que é uma pessoa fria ou indecisa (ou os dois) e você que está aí transbordando de vontade de fazer esse seriado diferente, vai murchando, murchando, 
m u r c h a n d o . . .

“Oi”.
Responde três dias depois.

O capitulo já tá perdendo a graça. Aliás, já perdeu. Se perdeu. Nos perdemos. Não assistiremos mais. Continuaremos indecisos atrás do celular. Amanhã começa tudo de novo. Outro seriado vai aparecer.

Como somos idiotas!