Blake Griffin, o outro Batman de LA

Ala-pivô dos Clippers assume papel de protagonista
ao lado de Chris Paul e eleva o nível nos playoffs

Chris Paul foi o herói do Los Angeles Clippers na primeira rodada dos playoffs. Sacrificou o próprio corpo no histórico jogo 7 contra o San Antonio Spurs, saiu de quadra mancando, porém com a vitória e a classificação no bolso.

Mas o Los Angeles Clippers, fazendo uma comparação tosca com os quadrinhos, não é uma cidade que tem um super-herói só. É como se Gotham contasse com dois Batmans patrulhando suas ruas. O outro protagonista dessa história se chama Blake Griffin.

O ala-pivô chegou na NBA em 2009, quando foi a primeira escolha do draft. Perdeu a primeira temporada por causa de uma séria lesão no joelho e só estreou em 2010–2011. Cinco anos depois, Griffin é um jogador muito diferente. É como se aos poucos ele tivesse adquirido todas as bugigangas que o Batman carrega no cinto. Tudo em forma de basquete, é claro.

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Quando foi escolhido pelos Clippers lá atrás, o ala-pivô era, antes de tudo, um atleta. A capacidade física era sua principal arma, e foi assim que ele chegou à liga norte-americana. Saltando mais do que seus adversários, correndo mais rápido e maltratando os aros com suas poderosas enterradas.

O Blake Griffin de hoje, aos 26 anos, continua sendo uma anormalidade física e uma força que intimida dentro de quadra. Mas também é um jogador completo do ponto de vista técnico. Faz de tudo um pouco. Pontua ainda com as famosas enterradas, é claro, mas acrescentou um arremesso de média distância; um jogo de costas para a cesta mais refinado; segue sendo um grande reboteiro; melhorou em termos de visão de jogo e passe; e mesmo sendo muito alto, tem habilidade para carregar a bola para o ataque e é extremamente ágil e habilidoso para alguém que joga na posição 4.


Blake Griffin é uma força desde que entrou na liga, mas ele está se elevando a outro patamar nos playoffs da temporada atual, mesmo dividindo o protagonismo com o craque Chris Paul.

Blake Griffin na temporada regular

21,9 pontos, 7,6 rebotes, 5,3 assistências, 0,9 roubadas de bola
50,2% nos arremessos e 72,8% nos lances livres

O ala-pivô melhorou em praticamente todos os aspectos de seu jogo na pós-temporada. Em 9 jogos até agora, contra a elite da Conferência Oeste, Griffin arremessou mais, pontuou mais, sofreu mais faltas, pegou mais rebotes, deu mais assistências, roubou mais bolas e teve melhor aproveitamento nos lances livres. Além disso, já registrou três triplos duplos.

Blake Griffin nos playoffs

25,4 pontos, 13,4 rebotes, 7,7 assistências e 1,3 roubadas de bola
48% nos arremessos e 76% nos lances livres

Os números, no entanto, não são tudo. Com a lesão de Chris Paul, que perdeu os dois primeiros jogos da série contra o Houston Rockets, Blake Griffin assumiu um papel de liderança impressionante para alguém de 26 anos. Além de chamar a responsabilidade para si nos momentos mais importantes, ele grita com seus companheiros dentro de quadra, dá instruções, pede mais atenção, cobra… Na ausência do armador, Griffin se transformou no principal líder, mesmo não sendo o mais experiente. Isso é amadurecimento.

No primeiro jogo da série contra os Rockets, em Houston, o ala-pivô saiu de quadra com 26 pontos, 14 rebotes, 13 assistências e o mais importante: a vitória. Na segunda partida, Griffin dominou novamente, anotando 34 pontos, 15 rebotes e 4 assistências, embora o Houston tenha devolvido a derrota e empatado o confronto, o que era esperado.

Agora a série volta para Los Angeles, possivelmente com o retorno de Chris Paul à quadra. Mas se o armador continuar baleado, não tem problema. Blake Griffin estará lá para liderar os Clippers mais uma vez.

@vagnervargas