O romantismo morreu?

O Romantismo foi um dos mais importantes movimentos da literatura brasileira. Apesar da denominação, não se engane: a Geração Ultrarromântica, Segunda Geração Romântica ou Geração Mal do Século — chame do que preferir — trouxe à tona o tédio, a melancolia profunda, a insignificância da existência humana e principalmente o amor e a morte. Os autores desta geração despejaram no papel suas angústias, seu desespero, suas desilusões, seus medos e seus amores não correspondidos — esteja avisado: um poema de amor ultrarromântico nunca termina em final feliz.

Como disse Álvares de Azevedo, conhecido escritor desta fase, em seu poema “Amor”: Quero em teu seio morrer […] Quero viver um momento, \Morrer contigo de amor!”. É possível entender porque muitos jovens, atualemente, identificam-se com estes poemas. Pensamos muitas vezes que seria possível morrer de tanto amor, assim como o adolescente Álvares amava tanto uma moça que queria morrer em seus braços.

As influências do ultrarromantismo na música e na literatura atuais são intermináveis. Um exemplo claro está na banda The Smiths, que fez parte do cenário alternativo britânico na década de 80. Uma de suas composições mais famosas, “There is a light that never goes out”, diz: “To die by your side is such a heavenly way to die”. Em outra música, “Asleep”, o vocalista Morrissey canta: Sing to me\ I don’t want to wake up\ On my own anymore\ […] I really want to go”.

Caso se encontrassem em algum universo paralelo, certamente Álvares de Azevedo e Morrissey teriam uma conversa interessante quanto a sua desesperança, o amor infindável que seus eu-líricos sentiam por suas amadas e o constante desejo de morrer. Afinal, ambos dizem que seria uma alegria morrer ao lado de sua amada, e que, se não acordarem no dia seguinte, estariam extremamente felizes.

Percebemos que, apesar de ter passado nas décadas de 1840 e 1850, as características ultrarromânticas ainda estão muito presentes nos dias de hoje e ainda conseguimos identificar-nos com seus sentimentos. A geração mal do século não morreu — mas bem que gostaria.