Dor é ruim, mas sofrimento é pior.

Dizem por aí que a dor do parto é a mais forte de todas. Eu acho enxaqueca muito pior. 
Uma dor que não traz nada. Dói, dói, dói e cadê bebê lindo no final pra fazer tudo valer à pena?
Tira a vontade de dormir. E também de acordar. Tira a fome, a capacidade de encarar um monitor iluminado e rir de um meme. 
Um parto é dolorido. Bastante dolorido. 
Mas é uma dor produtiva. 
Não sei explicar tecnicamente tudo que acontece durante um trabalho de parto. Mas eu vivi um. Virava de um lado para o outro, de um lado para o outro. No intervalo das contrações até me imaginava igual a um leão marinho tomando sol. E aí chegava outra contração que me impedia de rir da imagem. É como se uma grande obra estivesse em andamento . Atenção, órgãos trabalhando. Apertos, pontadas, puxões. Tinha uma estação da Sé às 18h acontecendo dentro de mim. E tudo só terminaria quando minha filha descesse lá na Barra Funda (tendo embarcado na Vila Matilde). Sensações que nascem da movimentação inteligente e natural de um organismo que sabe o que fazer, como fazer e quando. Um aviso claro de que algo está mudando. 

O parto mostrou que a dor, assim como um sorriso, uma febre, uma unha quebradiça, é uma forma do corpo se expressar. Isso me leva a pensar que talvez o problema não seja a dor da enxaqueca. Talvez eu apenas não esteja prestando atenção o suficiente em mim.

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