Verecúndia

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Chega uma hora que bate uma náusea,

Vontade repentina de me lançar de qualquer janela

Quero chorar e me trancar em um cubo só meu,

Preto,

escuro,

vazio

Mas ele está todo ocupado, 
com outro pedaço de mim

Tão igual

Tão diferente

Entope meu espaço com sua presença GIGANTESCA

Minha vida é um filme de sessão da tarde 
Ruim, previsível e todo mundo já viu

Você sentado aí é a reafirmação da derrota
 Indiscutivelmente tenho e preciso conviver

(eusei)

Migalha que preciso pra me manter viva
migalha de uma comida que serve para me alimentar
Não só serve, eu dependo dessa migalha para viver

Como todos os dias

Hoje é a migalha mais importante da minha vida

(hoje)

Mas não satisfaz as carências da minha alma

Diferente

Complementar

Preciso me organizar em mim

Dizer o que preciso dizer!!

EM VOZ ALTA

Preciso me organizar em mim,

Com o fôlego que ainda me resta
Me construir! (Naquele momento que digo errado e me chamam atenção)

e quando digo errado e me dizem
sinto vergonha
E amo a vergonha
mas não a venero
sinto vergonha porque eu não sabia
Sinto a vergonha para não mais….

E aprendo, môço!

Será?

Hipocrisia de amar o que amo e odiar o que odeio
usando os mesmos argumentos para defender os dois

em vez de não defender nada
só ouvir, escutar, degustar

amar, enquanto for amável
odiar, enquanto for odiável

E que seja sempre amável pois quero ser sempre capaz de me amar

e para me amar preciso aprender a te amar

te amar e não te ultrapassar
não te venerar
não te adorar
quero te amar
quero te amar
não posso te adorar pra sempre
Onde mora minha vergonha?

Onde morava minha vergonha ontem?

Todos os espaços estão entupidos demais

E eu já não sou nada

te vejo

me vejo

não sei conviver com você,

e muito menos comigo…

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