A categorização do ensino nas escolas

A ânsia de acompanhar o tempo tem nos exigido categorizar cada vez mais as nossas relações a ponto de influenciar diretamente sobre o nosso trabalho.

Quatro anos lecionando, sou jovem, porém, não pude deixar de perceber como o hábito de encaixotar conhecimento tem se tornado cada vez mais presente. Em alegoria, a facilidade, a praticidade dos alimentos enlatados e rápidos, não nos permite digerir as propriedades essenciais para o nosso organismo. E porque digerimos esses alimentos? É para dar tempo. E tempo de quê? Essa reflexão, se formos tomar a cabo reto, nos levará a uma depressão mútua que não pretendo desenvolver aqui. Não agora. O processo de industrialização nos engana, pois ele tem “lacre rápido e é apetitoso”, o que nos agrada o paladar, nos vicia e faz com que não saibamos ver para além da maquiagem, uma necessidade das propriedades naturais para que sejamos saudáveis. Não vamos misturar as coisas.

Quero falar de uma geração que fez desse processo de industrialização, o enlatamento dos conhecimentos — o que posteriormente veio a engavetar as pessoas, especificamente, e mais seriamente, os alunos. Falo de uma perspectiva real e que se solidificou a tal ponto que fica difícil as pessoas abdicarem dessa objetividade, devido à necessidade de acompanhar o tempo.

A baixa remuneração faz com que muitos professores tenham que buscar alternativas para o embrutecimento salarial, ou seja, lecionar em outras escolas para que a remuneração cobre, além das despesas, as viagens ou algo que venha e acrescer o conhecimento e assim qualificar o trabalho. A raiz do problema é muito maior, pois, somado a isso, o tempo se limita no trânsito e nos contratempos diários, para além daqueles que ainda fazem mestrado ou doutorado.

Todo esse processo de industrializar professores e educadores, levam-nos a enlatar conhecimentos de maneira mais prática e rápida, pronta e palatosa para os alunos digerirem sem observar as propriedades que contribuem para o desenvolvimento de habilidades. A educação se definha por um conjunto complexo que vai desde a falta de estrutura até a falta de empatia do que lidam com alunos — muitas vezes pela impaciência em decorrência de não acompanhar o tempo, ou pela falta dele mesmo. O material é simples, resumido e as atividades não envolvem o tato. Alunos de necessidades especiais muitas vezes não são ouvidos, pois não aprendemos a ouvi-los.

O engavetamento das escolas literárias, bem como os processos históricos e geográficos fazem com que os alunos aceitem, sem questionar, qual foi a importância dos acontecimentos e quais foram as suas contribuições. Muita gente sabe Gramática, mas poucos sabem o seu desencadeamento lógico no texto. O porquê daquela vírgula estar errada e qual é a lógica do não uso de algumas conjunções em início de frases. Todo esse processo está engolindo uma das necessidades mais especiais — o saber falar e o saber ouvir. Se você não sabe falar e se você não sabe ouvir, logo, você não sabe questionar.

O aluno que hoje sai da escola, é um aluno satisfeito e pronto para não querer nada além daquilo que a escola tinha para oferecer. Afinal, pra que serve todo aquele conhecimento se não saberão aplicá-los no dia a dia? Se a escola não os ensina a ter empatia e respeito mútuo? Para que serve essa lasanha de micro ondas, essa coca cola, se não são elas quem trarão benefícios para uma vida saudável? A gente come porque é gostoso, a gente estuda porque precisa para trabalhar. E a gente trabalha para sobreviver.

Meus alunos estão sem lugar.