val vieira
Sep 5, 2018 · 2 min read

*Olhos marfim

Se você olhasse aqueles olhos de longe não veria mais que uma imensidão sem seus acordes. Diria que era um solitário, mas engana-se, ali tinha tudo. Era como uma casa mobiliada, a mesa de jantar necessitava por algumas vezes de companhia. Também era como o deserto, sentia sede. Você gostaria de ajudá-lo, não era preciso. Porém, não recuava. Se olhasse a sua direita gostaria de descobrir o outro lado, e oque aquele semblante cabisbaixo poderia conter. Era interessante até o lado sem graça. Mas, agora, se olhasse de perto, desejaria pode ir mais que isso. Oque aqueles olhos marfim tinham? Oque eles tinham de tão bonito? De toda sua imensidão e caos.
Era o caos.
Cheguei mais perto que o tempo pode proporcionar. Não foi o superficial, isso o entristece. Vi os brilhar, a cor marfim brilhava e ao mesmo tempo chorava. Ainda me decepciono comigo mesma, por não ter ido além do mar ( fim). O vislumbre daqueles olhos na memória me conforta. Seu cabelo era grisalho e engraçado. Mas nada diminuía a intensidade daqueles olhos castanhos.
É aqui que me entrego. Eu não era as promessas do seu tempo, ainda assim o tempo não me negou parte delas. Aqueles olhos não eram meus, uma pena. Nem se reunisse poetas e suas declamações, nenhum descreveria aqueles olhos marfim.

val vieira

Written by

complemente exagerada e dramática. foi a necessidade de dizer.