O que esperamos quando postamos algo numa rede social?


Facebook

Em geral as pessoas, aos postarem no Facebook, esperam por likes. Os likes são os medidores de como sua história (caso seja uma história) está sendo recebida. Quanto mais likes, melhor, não?

Não.

Na verdade, e isso o marketing de social media já descobriu há tempos, o like/curtir é mais instrumento de medição para passei o olho do que realmente PRESTEI ATENÇÃO num caraio do que você disse.

Se você quiser mesmo saber a quantas anda o envolvimento das pessoas com o que você postou, melhor ver esse engajamento aí. Caso você tenha feito uma pergunta, as pessoas terão respondido nos comentários.

Elas estarão dando seus pitacos, nem que seja com um emoji ou um “tô contigo”. Se for do tipo textão, é prato cheio pra pessoas que escrevem “arrasou, gato” e pra quem aparece apenas para discordar. Tem até gente que joga um link pra contribuir.

Se foi uma foto compartilhada de outro site, o povo aparece com emojis diversos que expressam um leque gigantesco de emoções de A a B, como “gostei” ou “não gostei”. Bem binário mesmo, mas não dá pra fazer muito com uma foto compartilhada, um pensamento reproduzido de outro site, que é o cúmulo do “não sei pensar por mim”.

Se for uma selfie ou uma foto de viagem, mais naquela batida gostosa do narcissismo, espere muitos “que lindo”, “queria estar aí” ou “gostoso”. Um engajamento ruim, mas não deixa de ser engajamento.

Se nem comentários nem likes apareceram no seu post, daí, você é #failemredessociais. Sorry. Melhor tentar corte e costura.

Mas isso pode mudar com esse trocinho aqui, ó.

Twitter

A rede do passarinho (fosse o Twitter fundado no Brasil, deveria ser um passarinho verde, do tipo “um passarinho verde me contou”) é ótima pra comentários rápidos e ácidos. Eu linko o que escrevo no TT para o FB pra não perder tempo mesmo.

No TT tudo se trata de RT. O retweet é a base do negócio. É como se espalha a coisa. Entretanto, pra ter RT, assim como para ter like no FB, tem que ter sacada. E no TT o troço é mais difícil: não são seus amigos que ficam te acompanhando. Em geral são desconhecidos que te avaliam sem dó.

Se você acertar na hashtag e alguém te encontrar, talvez você possa aparecer em outros lugares e isso viralizar. Mas tem que ter pegada, sacada, humor. Posts mal-humorados (vide seus amigos no FB) não tem vez no Twitter. O povo do TT não tá a fim de ler um diário seu, de saber o que você come ou faz. Ainda bem. Eu diria que o povo não tá a fim de saber o que você faz mesmo.

O TT abastece a internet, saiba disso, de memes e menes. Aquela piada incrível? Veio de lá. Aquela expressão, como SEJE MENAS… Lá.

Não teve RT, ninguém favoritou, nada, pode almejar ficar no FB onde suas fotos compartilhadas de outros sites e mensagens de Bom Dia e Boa Noite estarão são e salvas.

YouTube

Em terra de YouTuber, conteúdo bom é rei. Ou gente engraçada, de novo. Se você não quer colocar sua carinha lá, bem bonitinha, falando o que você pensa assim como o fazem os YouTubers, você pode montar vídeos de gatos e vídeocassetadas ou fazer alguns tutoriais.

Ou então, dica: cria um conteúdo legal, com propósito, ensine algo as pessoas, SEJE ÚTIL.

A moeda de troca? São vídeos numa plataforma, o que você acha que as pessoas procuram no YT? Visualizações. Quanto mais, melhor. Significa que uma porcentagem mínima da quantidade de gente que te assiste está assistindo os anúncios que passam no seu canal e talvez aí você esteja ganhando dinheiro (diferentemente dos seus comentários no Face ou no Twitter).

Medium

Recomendações. Recomendações.

Quanto mais recomendações, melhor. Se publicada numa publicação, BANG, já tá mandando bem demais. Se entrar nos stats e estiver bombando, você é o rei do Medium.

Muitas vezes em textos como esse, falando de algum assunto tecnológico ou um belo “o que aprendi quando…” ou listas. Mas tem que ser textões.

Ainda, sendo um escritor de ficcção em prosa, não vi retorno nas histórias e sim nesses posts autoajuda, mais cola, mais descritivos da vida contemporânea, sobre assuntos da moda…

Por exemplo, coloquei esse texto meu, O que aprendi cicloviando na Avenida São João, e a recepção foi otima. Agora vá dar uma olhada nos meus textos de prosa… Talvez meus textos de ficção são um pé (no saco). É, pode ser.

Enfim, há gente que acredite que aqui pode ser um lugar para a ficção. Ainda estou para ver.

LinkedIn

Vamos testar. Testando o Pulse… Mas nada me tira da cabeça que ali é direcionado a textões sobre o mundo corporativo, é claro. Mas ainda assim tento por ali.

OU SEJE

Todo mundo espera alguma coisa (de um sáb…) quando posta em uma rede social: sejam likes, RTs, recomendações, não importa.

Elas esperam engajamento. Esperam ser ouvidas. Esperam ser reproduzidas. Compartilhadas. Esperam que suas vozes corram internet afora, galopem e polinizem quantas flores mais conseguirem.

Polinização da informação.

Valmir Martins é escritor, jornalista e ator. Agora usa Medium para divulgar seu trabalho com contos divididos em partes, contos soltos, reflexões. Seu mote é a literatura fantástica sem elfos, dragões e essa porra toda. Modernidade fantástica. Já escreveu dois livros e quer ser publicado, é claro. Não tem blog próprio. O Medium já tá de bom tamanho.
Você me acha no Twitter e no Insta, viu?