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Sinais de um relacionamento abusivo com uma pessoa possessiva/ciumenta

Nesse meu vídeo abaixo, eu falo de gente possessiva e comento sobre uma experiência minha com um namorado ciumento:

Agora relato as estratégias, recursos e falas que ele empregava para me manter no relacionamento ou justificar suas ações. Até porque alguns de vocês podem estar passando por um relacionamento abusivo assim e podem se identificar.

Contextualizando: tive um namoro de cinco anos e meio com este moço. Com cinco meses de relação, eu tentei terminar por conta de ciúmes. Não consegui. Com um ano também. Seguiram-se anos até eu conseguir sair desse ciclo. O que foi determinante para a relação degringolar foi morar junto e uma viagem dele no meio de tudo.

Primeiro, não saímos para baladas. A questão era que ninguém podia olhar para mim. E que se eu olhasse para alguém queria dizer que eu estava interessado nessa pessoa. Aliás, isso funcionava quando andávamos na rua também. Qualquer cara muito bonito servia de motivo para uma briga.

Outro ponto importante: o que eu fazia quando não estava com ele. Enunciar cada passo, dar toda a minha agenda do dia e garantir que ele soubesse onde estava (fico muito feliz de não ter vivido isso na era do WhatsApp, do ao vivo, do check-in, pois conheço namorados que usam o Facebook Live, o FaceTime, para mostrar ao outro que está falando a verdade sobre onde está).

Se eu fosse por um segundo vago, dúbio, se não tivesse sido claro, isso era motivo para briga, para vir atrás. O que eu sempre questionava era: e a confiança no outro? Ficava onde?

Frente a esse argumento, o que me era devolvido era espantoso: “zelo”.

Ele zelava por mim.

Por minha integridade, pela integridade do relacionamento. Não era questão de desconfiança. Não. Era um cuidar de nós, uma preocupação extra. Ele queria que eu acreditasse nesse cuidado tão necessário e vital para nosso amor.

Ou então: eu estava dando motivo. Não ser claro, olhar para outro (o famoso “olhar para o lado”, que pressupõe um olhar sempre para o nada ou um olhar condicionado), levar um flerte e observar de volta, ou até mesmo resistir a dizer onde estava por pura raiva de ter tanta cobrança e ser tanto instado do que eu fazia ou não: motivos, motivos, motivos.

A tentativa de me controlar era muito evidente. Digo tentativa porque eu via e muitas vezes aceitava para evitar briga, para tentar entender o que ele sentia ou por cansaço de lutar contra mesmo. Eu percebia e lutava contra, na maioria das vezes. Mas havia outras formas mais sutis de controle.

Entendi que não podia ser um homem bonito.

Não era muito interessado em academia à época (êita nóis, hoje, pelo contrário, sou rato). E só fui perceber depois que, em algumas falas e ações, que as constantes idas ao restaurante, ao fast food, toda hora comendo algo, era mais do que gosto. Era uma tentativa de me deixar menos atraente. Houve uma vez em que ele mesmo disse: “Come mais. Come! Isso!” E uma risada maléfica. Eu disse: “Você quer que eu fique gordinho porque acha que ninguém vai olhar pra mim?” Ele riu. Engano dele achando que ninguém me olharia gordinho ou não.

O mais interessante foi que, ao final do relacionamento, quando eu ia com afinco à academia, em busca de um corpo mais magro, ele soltou um “agora você vai querer ir para a academia?” O duplo sentido, nesse caso, abusa mais ainda do psicológico.

Dentre as estratégias usadas, havia ficar atrás de mim e ver minhas senhas para acessar meu e-mail, meu MSN, meu Orkut, atrás de provas. Ou até mesmo instalar programas para acesso remoto em meu computador (ou até gravar meu desktop: não tive provas disso, mas eu suspeitava).

Nada disso eu percebia. Mas quando ouvia dele uma informação sobre mim que eu não havia dito anteriormente, como quando me dizia que eu havia falado com determinada pessoa (geralmente alguém de quem ele tinha ciúmes), eu compreendia que minha vida virtual estava sendo vigiada.

Crescia a frustração em mim quando eu tentava terminar a relação e as formas de chantagem emocional vinham variadas. Desde o famoso “eu vou mudar” ao “você que quer assim, eu cuido de você.”

Na impossibilidade de eu voltar atrás, acontecia o inesperado. Em um episódio, ele se jogou no chão. Debateu, quase um ataque epilético. Gritava: “Fica comigo.” Teve bombeiro no Conjunto Nacional, teve ambulância, teve ida ao hospital, teve médico pedindo para que ele se acalmasse, teve a família vindo em seu resgate, teve a enfermeira-chefe afirmando para ele que quem ama deixa o outro ir e me dizendo: “Vai embora. Você já fez até mais do que devia. Deixa com a família.”

Depois, o arrependimento, a reconquista. Eu, abalado, deixava. Me deixei ser “reconquistado”. Eu realmente chegava a acreditar que não teria alguém como ele nunca mais. Com um corpo daqueles? Como um gordinho como eu não ficaria com o cara que tem corpão? Com uma das melhores transas que eu já tive?

Esse último ponto. Confesso: metade do que sofri foi porque a gente se entendia bem na cama. Melhor sexo. Caralho.

Ouvi anos depois que fui traído sim na viagem à Europa. E que ele era o homem da relação, não eu.

O que só me alimenta a suspeita (senão a certeza) de que quem é ciumento demais, possessivo demais, tem medo que o outro faça aquilo que ele está fazendo.

Projeção, né, mores?

Hoje entendo. Não tem sexo que compense minha segurança psicológica. Não tem controle sobre minha vida que me faça querer estar em uma relação assim. Não tem pessoa que queira se fundir a meu ser que eu aceite nessa associação simbiótica.

Nada vale o custo da sua individualidade.

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