Quando eu era pequena nunca exerci nenhum talento grandioso que pudesse ser considerado fenomenal, meu ótimo desempenho em tentar agradar às pessoas ao meu redor sempre passou despercebido, na verdade, o efeito era contrário. Matemática foi a primeira matéria a ser eliminada pelo meu gosto pessoal, chorei em cima da tabuada.
Aos 13 anos comecei a exercer um gosto pela escrita nos meus diários, era uma rotina e também uma válvula de escape. Quando passei a escrever meus textos eles sempre tratavam-se sobre o que eu sentia, ou o modo como eu via o mundo.
Aos 17 anos percebi que encaixava-me na profissão de jornalista. Quando acabei o ensino médio não fui direto pra faculdade, resolvi que precisa de um tempo, minha mãe não questionou, certamente porque eu trabalhava, mas fico grata por isso.
Aos 20 anos comecei a faculdade de jornalismo, ao qual encontro-me agora, em meu 2º semestre.
E aos 21 anos, passando por um momento de transição a qual chamo de “crise dos 21" passei a descobrir que talvez jornalismo não seja bem o curso ideal, penso isso porque gosto de escrever e não de comunicar-se. Atualmente no ramo trabalhista precisasse ser 10/1(dez por um), com o desenvolvimento rápido da nova geração o mercado de trabalho também adequa-se nesse perfil, exigindo do candidato daquela entrevista a ser expert em qualquer coisa que seja designado a fazer.
Mas aos 21 anos também, a faculdade abriu as portas da minha mente, ganhei o interesse em aprender, que não existia no ensino médio. Tento lembrar-me que sempre fui uma pessoa muito aleatória, do hoje eu quero e amanhã posso não querer mais, respeitando o meu tempo, dando um passo de cada vez, ou até mesmo um salto alto, quando fosse de minha vontade.
Assim como o trabalho de mercado muda, também mudei, passei a ter interesse por gênero, pessoas, ambiente, desigualdade, sociedade e política, não lembro-me mais o que fez-me concluir que curso faria. Escrever, descobri que não é o bastante. A paixão pela escrita continua e não pretendo nunca abandoná-la. Mas a crise agora é outra. Amanhã pode já não ser mais.

