Pode vir, Humberto

Pode vir, Humberto

Passei a tarde inteira escrevendo versos ruins e tomando café

Desencontrei a alma do verso, emudeci.

tudo

Para lhe dizer que o que a carne quer não tem nome

É desejo lúbrico que escorre e cresce em glória por entre minhas coxas grossas

Enquanto imagino você: tesudo-fálico — antropofágico

em torpor na janela

Fumando um cigarro,

e disparando,

para cima de mim,

(lânguida, nua e deslizante)

mísseis de uma guerra de prazer

onde a vida, ao invés de se perder, perpetua.