Quem protege uma cultura, senão seu próprio povo?

Matsini Yawanawá, líder espiritual da aldeia Mutum, na manhã após cerimônia sagrada de Natal que reuniu lideranças, representantes de outras aldeias e visitantes, em homenagem ao pajé Tatá

Entre 18 de Dezembro de 2016 e 6 de Janeiro de 2017, tive a honra de compartilhar os aprendizados sobre a jornada imersiva ao Centro de Medicinas Tradicionais Yawanawá, na aldeia Mutum — conduzida por Asi Ruá (“princesa da paz” na língua, como contam suas histórias ou sheni pahu), da família Samaúma — no “Travel Inside: a Shamanic Experience” (“Viagem Interior: uma Experiência Xamânica”) — documentário da realizatriz (diretora) francesa Isabelle Gendre, filmado pelo câmera francês Christian Fienga pro canal Voyage/Fox. Durante o delicado momento de luto após a passagem do pajé Tatá, aos 104 anos de idade, que deixou importantes missões para os guardiões de suas sabedorias da cura e do viver.

Abaixo: Daniel Banin — irmão de alma, artista plástico e companheiro de viagem — , Isabelle e Christian, durante o último registro do documentário “Travel Inside — a Shamanic Experience”

Enquanto me re-conheço na volta à cidade que nunca mais será a mesma, reflito por instinto— sobre atravessar corajosamente e cuidadosamente as camadas sócio-culturais que se revelam no encontro entre mente e espírito, cidade e floresta, indígenas e nawás (brancos) brasileiros e europeus, com perguntas / tentativas de reconstruir pontes até nossa origem comum. Sobre aprender a pedir licença e guiança pra caminhar sobre, com e através dos reinos da Terra, como gesto fundamental para convivermos em paz, harmonia, justiça e amor. Sobre somarmos forças a partir do nosso real lugar de poder pessoal, honrando os limites e tempos de cada um. Sobre Uni, rapé, jenipapo, urucum e a sensação de quase-morte e ultra-vida com kambô. Sobre morar com uma aranha venenosa do tamanho da minha mão, e aprender com ela a tecer minha própria proteção, pra mim e minha criação. Sobre uma metamorfose intercultural que me levou do vôo ao ovo, me devolveu a voz e, a três dias de km de distância da minha casa, me trouxe de volta às profundezas do meu centro (chamado coração).

Início da viagem de volta, por cinco horas (ou mais) de barco entre a aldeia Mutum e a cidadezinha de São Vicente — de onde se vai de carro por mais três horas para Tarauacá, e de lá para a capital do Rio Branco por mais um dia, devido às péssimas condições da estrada abandonada pelo governo

Viva as mulheres, os homens, os anciões, as crianças, as músicas, o espírito, a força do povo Yawanawá! Gratidão eterna! Iuhu!

Continua…

#mutumtumtum

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