Ah Eparrey!

Eu precisava de um pouco de tempo para assimilar o clarão…

De uma vida inteira tentando encaixar as peças erradas do que, na verdade, era um quebra cabeça de Nagô.

Eu, sempre transparente como água, falhava incessantemente na procura por mim mesma.

Me buscava em mil cores de cabelo, em diversos aspectos corporais, nos amores externos, até mesmo em uma infinidade de conhecimentos religiosos.

Não me encontrei.

Nem na ruiva, ou sequer na loira, nem na magérrima, menos ainda na gordinha, nem na Oxum, nem na Yemanjá…

No final das contas ela/eu era (sempre foi e sempre será)… Oyá!

E isso me coube bem! Me abracei perfeitamente na alegria do autoconhecimento e autoaceitação!

Na minha sinceridade brusca encontrei conforto.

Nas minhas ventanias de braveza, explicação.

Na minha capacidade de sentir fundo, de me doer por inteira, de me jogar de cabeça…

Encontrei justificativa para todos os meus pormenores, que tanto relutei em compreender e amar.

E assim eu me amei de verdade!

E aceitei que eu não seria como as outras, que eu não QUERIA ser outra.

Eu vi que tudo até então era um casulo preparatório, era um ensaio para um grande voo.

Me libertei!

Como uma linda borboleta eu saboreio o vento que vai levando a minha vida rumo ao desconhecido…

Tenho muito mais Fé do que antes, muito mais confiança!

Ninguém mais poderá enfiar o dedo no meu nariz e me amedrontar como antes…Ninguém verterá minhas lágrimas sem a MINHA permissão!

Eu emergi com orgulho de ser quem sou, e com a força de um búfalo feroz!

Pela primeira vez, sem maquiagens, sem máscaras, sem receios eu me vi:

A menina que era sim de ventarola…mas era de Iansã, a guerreira… a Bela Oyá!

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