Mãe de merda, literalmente

TW: cocô, escatologia, muita merda mesmo

Quando uma mulher espera seu primeiro filho, é comum que muitos conselhos sejam como “aproveite para dormir enquanto pode”, já antecipando que a mãe pouco (ou nada!) dormirá depois que o bebê nascer.

O período pós-parto vem, ainda bem, saindo das sombras. Mães se sentem cada dia mais à vontade para compartilhar as dificuldades, as noite mal dormidas, o cansaço, stress, depressão…mas tem uma coisa que ninguém, ninguém mesmo, conta e vou contar. É uma merda, literalmente. Se tem um conselho que eu daria hoje para uma mulher que espera seu primeiro filho seria: cague em paz e de porta fechada enquanto pode. Sério. Aproveite cada oportunidade em que a natureza chamar. Tranque a porta e entregue-se à delícia da privacidade e ao silêncio. Folheie uma revista ou faça uma caguelfie enquanto castiga a porcelana.

Banheiro já faz parte da rotina de toda grávida. Com uma bexiga menor que um copinho de café, as idas ao banheiro são frequentes. Quando eu estava grávida, a cada vez que eu saía de casa, fazia um roteiro do caminho incluindo todos os banheiros públicos, tipo George Constanza. Nos meses finais. já lá com aquele barrigão nem enxergando os pés, eu sofria para sair rolando da cama nas inúmeras vezes que sentia vontade de fazer xixi e pensei em abrir um crownfounding para um aparelho que me rebocasse da cama para o banheiro. Algo assim:

seria realmente últil naquele momento

Como já expliquei antes, não dá pra ir ao banheiro sempre que quiser. Com um bebê tão pequenininho, agarrado aos peito e tããão fofinho, necessidade fisiológica é a ultima das preocupações, assim como banho, higiene pessoal, roupas limpas e alimentação. Tudo absolutamente dispensável na vida da recém-mãe. Imagina a seguinte situação. A mãe sente vontade de passar o fax pro almirante barroso e o bebê está lá no meio da amamentação. Como faz? Exato. Não faz. Segura o esfíncter e padece no paraíso escatológico da maternidade. Sente só aquela mistura de agonia com aquela dorzinha atravessada na barriga, o suor frio e segura o charuto nos beiço que o bebê não parou de chorar e não pode ficar sozinho. Quando algum ser humano com deus no coração fica com o bebê recém-nascido para a mãe ir ao banheiro finalmente largar o barro, num tem mais a revista, o pensamento na morte da bezerra a pose ao estilo O Pensador do Rodin… Todos os momentos em que, finalmente, poder atender suas urgências escatológicas, será com a porta do banheiro aberta e ouvidos atentos pra qualquer sonzinho diferente do bebê.

E não pense que a relação da mãe com cocô não acaba por aí. Mãe também é investigadora de cocô de filho. Praticamente uma Mythbuster das fraldas. Tem o primeiro cocô, o tal mecônio. Aí tem vários tipos e cores de caquinhas. Em poucos momentos, estará googlando “o cocô do meu filho é normal?” e vendo links como este (TW: fotos de fralda de cocô, clique por sua conta e risco). A mãe também saberá que dia e hora seu filho largou o último barro na fralda e essa data será mais importante que o dia que a Beyoncé lançou o último single. Ficará preocupada quando seu filho parar de defecar, por algum motivo, e aplaudirá o cocô quando vir a fraldinha suja. Sim, leu certo, merda será motivo de aplauso e felicidade. Tem também um fenômeno interessante: como um bebê tão pequeno e fofo consegue cagar tanto? Sério. Tem uns que praticamente cagam até a nuca e fazem Hiroshima parecer fichinha. Tem um post muito bom sobre cocô de bebê no site Potencial Gestante, que traduziu essas ilustrações de um blog(sim, você já entendeu que cocô de bebê é assunto sério e post de blogs nacionais e internacionais).

Quando a criança crescer (não, não pense que a mãe cagará em paz), vem um outro momento memorável na jornada cocozística: o desfralde. A mulher já tá lá craque na troca de fraldas, já reconhece pela expressão da cria quando ele tá soltando a trança, e eis que chega o momento de usar o vaso. Pensa que se livrou do cocô e… AHÁ tá lá ele de surpresinha na roupa íntima da criança, que não conseguiu se controlar ainda.

Nomearam como o bebê mais bravo do mundo, mas eu acho mesmo é que ele tá cagando

Aí entra toda o preparo para ensinar a criança a cortar o rabo do macaco no vaso. Toda a criatividade, anos de estudo e muita leitura servirão para contar historias ou inventar musiquinha sobre cocô. Mãe conversa com o cocô, dá descarga com filhinho bradando um animado “tchau, cocô!!!!!”. Talvez a criança se apegue tanto ao cocô, que chore quando a bosta seguir o ciclo da vida e for poluir algum rio, como este menininho.

Ah, claro. Tem o “mamããããããããããeeee, acabei” que indica que a cria já terminou de escorregar o barroso e a mãe tem que ir lá limpar o bumbum. Talvez depois (ou antes, durante) de alguma refeição que estava fazendo, mas nessa altura da maternidade, já perdeu todo e qualquer resquício de nojo.

Voltando ao conselho inicial deste texto. Não, mãe não caga em paz depois que o filho nasce. Porta fechada é um luxo e aprender a cagar e entreter as crianças ao mesmo tempo é questão de sobrevivência.

Minha filha hoje está às vésperas dos 4 anos e perguntei o que ela pediu para o Papai Noel. A resposta foi….UMA BONECA QUE FAZ COCÔ. Ela existe e até o fechamento deste texto, o estoque está esgotado na principal loja de brinquedos do país [de merda].

Se gostou desse texto, clica no coraçãozinho aí. Agradecimento ao pessoal do twitter que colaborou com esse post com sinônimos de “cagar”. Está impagável. Se tem alguma experiência ou comentário, não se acanhe e partilhe. Estamos todas na mesma merda.
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