mãe offline
Como e porque eu deixei de seguir as páginas maternas no Facebook
A cada página materna que foi aparecendo no Facebook, o clique “deixar de seguir” seguia em movimentos quase automáticos. Não quero saber sequer sobre o que é a postagem ou quem é a autora, me irrita.
Não conseguia bem organizar os motivos. Minha filha já tem 06 anos, ou o que chamam de “primeira infância” acaba aqui. Não tenho planos ou desejo de ser mãe novamente e não me preocupo mais com desfralde, papinha, amamentação, sling, introdução alimentar, creche ou babá. Isso seria a explicação fácil, mas o incômodo é um pouco mais profundo que isso.
A geração anterior, das nossas mães, foi criada para trabalhar fora. Não é difícil termos lembranças de ficarmos com os cuidados terceirizados ou nos virarmos cuidando de irmãos menores quando ainda dependíamos de cuidados. Não estou fazendo julgamentos, não me proponho aqui a dizer se isso é bom ou ruim, mas o que vejo agora é um movimento exatamente oposto.
Mais e mais páginas e movimentos pregando dedicação e cuidado, anulando aquela mãe. Conversas, birras, desfralde, tudo acompanhado de perto e com uma paciência infinita. Coworking, empreendedorismo materno com sling, papinha natural feita em casa, tudo pela mãe, claro. Não fica muito bem definido onde entra o pai ou uma rede de cuidados em toda essa criação com apego. Posso estar exagerando, mas foi esse o incômodo que me fez deixar de seguir as páginas maternas.
Acredito na maternidade possível, onde a mãe e a mulher se equilibrem. Uma rede de cuidados ativa e atenta, divisão igualitária de responsabilidades. Utopia. Talvez.
