O impeachment de Dilma na história
Pedro Doria
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Fundamentalmente, historiadores investigam o que conhecemos por relação, já que isto é o efetivamente existente.

Explicação da história no sentido de decifrá-la como portadora de necessidades que lhe são imanentes é um legado idealista herdeiro de Hegel e ainda bastante influente.

Apesar de Hegel, e também seu epígono mais ilustre, nada acontece na história porque tem de acontecer. O que move a história são os conflitos que se expressam como relações de força. E disso o entendimento de que o caminhar da história é contingente.

Quando os turbulentos átomos sociais se chocam, não há “necessidade intrínseca” ou “dever ser” que dê conta. Custei a entender isso porque a história me foi ensinada pela lógica do “dever ser”.

Curiosamente, o entendimento da contingência na história está magistralmente expresso no 18 Brumário de Marx. A luta de classes (conflito) sempre efetiva o novo. O que é o novo para Marx? A revolução proletária, contra a qual se fez o golpe do 18 Brumário.

Por temer o que é o novo, diz Marx, indivíduos e grupos ativam a ideologia para travestir a novidade como repetição de um passado. Disso o recurso crítico de Marx à metáfora da representação teatral (farsa e tragédia).

O que faz o historiador de ofício é atribuir significação lógica e empírica aos eventos que estuda. Assim, a narrativa da história só pode ser produto do ofício: organizar hipóteses, escavar arquivos, criticar documentos.

Enfim, concluo com você “ É impossível dizer como a história lerá nosso tempo. Mas é possível afirmar que a história não verá o impeachment apenas pelas pedaladas. Quando historiadores se debruçarem sobre este 31 de agosto de 2016, não vão isolar o impeachment por si e apenas. Observarão o contexto. E o contexto, no mínimo, começa em julho de 2013”

Isso mesmo: observarão relações e, principalmente, escreverão muito mais sobre como elas provocaram efeitos no social, e muito menos sobre “mas o que é que está por trás disso?”

Parabéns pelo ótimo artigo

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