Apenas mais um.

Por mais que eu seja esse cara super feliz, carismático e energizado pra tudo e pra todos, eu carrego um medo enorme dentro de mim: o medo d’eu poder realmente ser eu mesmo. Isso só é possível quando eu estou com presenças iguais a mim, quando eu estou com outros homossexuais. Os héteros com que eu convivo me deixam super confortável em questão da minha sexualidade, sempre me trataram de forma muito boa, sem ter aquele cuidado com aquela famosa questão “será que ele vai dar em cima de mim?” e cá entre nós, o ego do cara tem que ser do tamanho do universo pra pensar isso, não é por que eu sou GAY que vou dar em cima de qualquer um. Enfim, eu quero dizer que, eu não sofro mais que ninguém, mas também não estou ileso de sofrer algo, são olhares tortos de pessoas da minha sala, piadinhas de professores e até mesmo gente que me vê na rua e me encara.

Segundo estudos, a cada 28 horas morre um lgbt, vocês tem noção do que é saber que você pode ser mais um desses estudos? Saber que você é vulnerável a qualquer tipo de ataque pelo simples fato de AMAR? Mas isso não começou a me assustar ontem, ou hoje, estou ciente disso desde quando eu resolvi me assumir. Mas é aquele ditado, se eu não fizer por mim, quem vai fazer? Se eu não lutar para que essas estatísticas fiquem datadas, quem vai? Por isso eu passei por tudo que eu vivi com a cabeça erguida e nunca tive vergonha de falar “EU SOU GAY!”, e nunca terei. Só digo que, não abaixem suas cabeças e não se reprimam por conta da opressão, eu peço que se você sofre isso, busque ajuda, se informe, estude um pouco mais sobre o movimento LGBT. Isso me salvou de ser mais um com pensamentos heteronormativos, reproduzindo diversos preconceitos. Eu sou eternamente agradecido por cada pessoa que me ajudou na minha transição de mentalidade e a cada pessoa que me ajuda agora, minha gratidão não cabe nesse texto. Love you all.