Sê livre


Quando foi a última vez que te sentiste realmente livre? Quando falo em livre não o faço do ponto de vista filosófico (pois nesse prisma somos todos marionetas do acaso), não o faço do ponto de vista político/social que muitos tendem a associar com a verdadeira essência desse sentimento. Mas o que é liberdade exatamente, de que são feitas essas asas, que mesmo na maior tempestade, te levam para além do horizonte, aproximam-te dos teus sonhos, desse arco íris que é a tua mente, que tantas vezes se encontra encobrida pela névoa. A tua alma é tua, nunca deixa de ser tua, tens esse veículo que te leva ao que sempre ambicionaste, desprendido das amarras do chão, que te arrastam para a câmara preta e branca que é a sociedade. Institucionalizam-te nessa nébula incolor, que se reflete num mar igualmente cinzento de pessoas que não vivem a vida que querem viver, pressionadas por seguir o convencional, o monstro conformado que te suga a vivacidade, a ânsia de chegar onde queres chegar, seguir a estrada que queres seguir. A conversa de estarmos conformados a uma sociedade igualmente entediante é cada vez mais relevante. Olho pela janela, vejo pessoas iguais, mesmas roupas impregnadas não por um coração despedaçado mas sem cor, porque se estivesse despedaçado significava que seguiste o que querias, decidiste escolher B em vez de A, podes ter errado, mas pelo menos usaste essa dádiva da vida, que nas intermitências da morte percebes que desperdiçaste em coisas que nem gostavas mas compraste, em agradar pessoas que te repudiavam ou em seguir aquele que se auto-proclama pastor. Porque na reta final, quando a vida te passar entre os olhos, vais perceber que é a seguir à morte que vais começar a viver.