Ao menos você é católico

Para evocar este lugar cômodo

Chamado inferno, como seu destino?

Não fale do inferno,

Sem ler a Bíblia.

Pois abundam em nossos dias

Cristãos apologéticos,

Que devastam e exploram,

Sem a menor reverência na hora da condenação

Sem a menor empatia na hora do julgamento.

Quem foi pra lá já matou,

Já roubou,

Já viveu a miséria.

E ainda assim foi de cabeça erguida.

Na verdade,

O que você quer é um Cristo para perdoar-lhe.

Sua perda de tempo e sua inércia.

Ióroun per-so-nal Disus, tão descolado.

Um Cristo compassivo,

Que use os salmos corretamente,

Na ocasião adequada.

Que sare as suas feridas.

Que sacrifique o próprio cardume, que é ele, para o jantar.

E ainda seja metamórfico, como o imaginário coletivo.

Você nem serve pro inferno.

Pois credo em que não se acredita, não afeta.

Você não serve pra mim,

Pois o que eu realmente penso de você ainda não foi feito linguagem.

Resta a você saber se serve para si.

E eu sei que isso tira o seu sono:

Apresento-lhe o purgatório.