Depois da aula dessa manhã, fui almoçar com uma colega boliviana, da Universidad Mayor de San Andrés, de La Paz, também estudante de História, que conheci nas reuniões do intercâmbio aqui na Usach. Ela é uma pessoa super amável e sempre temos conversas muito ricas; falamos por horas sobre os processos históricos de nossos respectivos países de origem e do restante da América Latina, diferenças e similitudes, questões identitárias, notícias, previsões, etc. Acaba que ficamos horas lá sentadas, até quedarmos somente nós e os funcionários.
Hoje estava falando da indissociabilidade do estudo da escravidão e da história do brasil, da inserção dos conteúdos de história da África no currículo com a lei 10639, dando um panorama histórico, — porque a gente conclui das disciplinas de América Latina é que não nos conhecemos, ou conhecemos o mínimo — e enfatizando também a proximidade do 20 de Novembro, explicando as diferentes expressões do racismo na sociedade brasileira. Sentindo um hiato na minha explicação quilometrica, quando voltei aos século XXI, ela me preguntou “Tá, e os indígenas?”.
Começo a rir de nervoso, do tipo senta aí que eu vou te contar outra história triste. Aí voltei de novo pro século XVI, mais um pouco dos regimes de escravidão e servidão, da insubmissão como resistência e reorganização, do roubo de terras pelo governo para os colonos, atritos e guerras, chegando ao século XXI, com o avanço da malha urbana e a situação pavorosa, que mesmo sendo uma Nação Autônoma aos olhos da constituição, por outro lado, temos terratenentes genocidas no congresso e suas milícias armadas beneficiadas da malha rural, que está matando índio por todos os cantos do Brasil e o congresso tá cagando e não tem ONG internacional ou missão de paz que interfira.
Ela ficou reticente.

A gente acha que ser sincero é uma qualidade, mas verdade dói muito.
Sem mais.