Falando em abuso de poder policial e outras instituições públicas com unidades móveis, queria comentar como impressão pessoal a quem interessar.

Aqui “eles” usam da estratégia do susto pra assediar mulheres na rua. Pelo menos foi a “modalidade de assédio” que eu mais experienciei. Eventualmente falam algo, dá em briga, mas o comum é pisarem no acelerador e darem o vazare por medo do “escândalo”. Nada de novo. Como diz a Maria Galindo, a exposição é uma das ferramentas importante que temos e podemos fazer uso, na coletividade que é mais seguro, para determinadas situações.

Não somente eu, mas outra amiga também, recentemente, passou por situações de assédio envolvendo “as autoridades”, em que aquele momento de extrapolar a raiva pelo absurdo da situação faz a gente esquecer de anotar a placa do veículo para ao menos fazer justiça legalmente, mesmo sabendo que é provável nos frustrarmos no intento pelo corporativismo da instituição (ou não).

Hoje especialmente foi um combo: uma ambulância que me deu esse “susto” e um pouco antes, um cara num carro resolveu quase provocar um acidente de trânsito para comentar como eu ficaria “comível” se a minha depilação estivesse em dia. Pelo menos o engavetamento de carros que ele provocou me poupou o trabalho de xingá-lo). Civil, mas ainda se achando na liberdade de abusar da relação de poder pedestre-condutor e machista.Lembrei imediatamente da experiência do ano passada, em julho, com a Débora, em que ao provocar um policial civil que nos assediou, meio embriagada, dizendo que ele era um verme atrás de um distintivo, fui ameaçada de morte aos berros na André da Rocha. Reagir ou não reagir?

Porque eu não tenho mais o que pensar das situações que não seja redundante, novamente devo levar em consideração que a minha realidade é muito diferente da de outras mulheres que passam pelo mesmo desconforto. E também pensar que “esse desconforto” não é universal. Mas pessoalmente, pensar nisso, me faz naturalizar algo que não é positivo; quem tem liberdade de acesso ao meu corpo somente eu e desde o meu ponto de vista, todas as mulheres tem o direito de dizer, por pensar que violências e a dor da agressão são universais. Mas posso estar precipitada.

O fato que é que parece que cada vez mais surgem mais questionamentos para momentos igual, violência iguais, que deixam a gente em dúvida da forma que estamos combatendo e o por quê de combatermos. Não sei bem onde eu quero chegar? Na verdade, esse escrito foi uma junção de experiências para apenas fazer um exercício de quebra de paradigma e sair da zona de conforto. A conclusão é que não tem conclusão. Hoje me sinto confusa nas minhas certezas e um pouco fracassada. Mas mexendo já faz alguns anos com essas questões, já deveria saber que faz parte o esgotamento.

“Desde mi libertad de escritora y artista he servido todos estos largos años. Sin salario, he logrado sobrevivir con lo poco que acostumbro, y hasta guardar un poquito, para invertir en una granja y convertirla en una colonia de mujeres. Los ahorros pueden durar unos siete años. Así que en siete años debo morirme. Pero probablemente no será así, las mujeres en mi familia viven para siempre. Tanto como me cansa la vida sin propósito o sin trabajo significativo que la haga soportable, no puedo morirme porque en el momento en que lo haga, mi escultura, dibujos, negativos y serigrafías serán tiradas al basurero.”

MILLET, Kate. ¿Somos las mujeres incapaces de honrar nuestra propia historia? Acceso en: http://www.jornada.unam.mx/1999/02/01/kate-millet.htm

PS: ontem comprei essa revista no taller por um artigo que me chamou atenção.

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