Non Resuscitare
Sep 5, 2018 · 3 min read

O relógio marcava 3 horas, eu fumava e tomava o que seria o último gole para uma noite de desejos em uma xícara de café. A fumaça se concentrava no quarto todo e eu a esperava sair do banho. Saiu.

Ela com a toalha envolvendo o corpo me olhava com uma expressão que despertava em mim até o que eu não via desejo na hora, fiquei louco com aquele sorriso inocente recheado com malícia. O cigarro apagara enquanto a preparação ocorria.

Eu peguei a garrafa de vinho, coloquei o rock mais psicodélico e lento o possível enquanto ela, sentada com aquelas pernas macias no meu colo enquanto bebia me olhando e me conquistando com o rebolado. Minhas mãos automaticamente seguram e se fixam em sua cintura, como se fosse uma dança a qual ela conduzia-as dando a impressão de que na verdade eu a conduzia, dominávamos enquanto éramos dominados pelo prazer e por nós mesmos.

Ela colocou a taça na mesa da cabeceira da cama e seu pescoço ficou demasiado aproximado da minha boca, que percorreu-o em movimentos sutis mas que escondiam uma súbita vontade de chupá-lo depois da língua o percorrer por inteiro. Ela sorria e mordia os lábios. E foi depois de mais um cigarro que tudo começou, quando ela enfim tirou a toalha, que me revelou aquele corpo magro que eu explorava com as mãos, parte a parte. Foi aí que ela me segurou no maxilar, sorriu e me lambeu do pescoço ao peito, seus dedos pareciam passear pelas tatuagens como se fosse ela quem estivera desenhando.

. O vão dos meus dedos teve o encaixe perfeito em seus cabelos que sem muito esforço foram puxados, ela inclinou a cabeça para mim enquanto seus olhos tinham a profundidade de um oceano, como se quisesse falar comigo enquanto a boca aberta me abria a satisfação. Toquei seus lábios com o polegar, ela o chupou até que eu segurei sua cabeça pelas bochechas e a puxei pra cima de novo, foi quando começamos a disputa pelo orgasmo, pela sensação de se sentir mais livre e confortável do que nunca, sentir que o momento sendo vivido era o suficiente pra se viver toda noite… Toda noite.

Minutos se passaram e o calor se junta a nós, os corpos suados e a respiração ofegante nos revela o que tínhamos dentro de nós, o instinto de permanecer com o tesão até que um dos dois se renda. Não aconteceu.

Mudamos a posição, respiramos fundo mas já tínhamos nossas marcas, a marca da minha mão num tom rosado e avermelhado e minhas costas pareciam ter se esfregado no arame, pescoços arroxeados e a pele molhada. Em momento algum isso foi problema. Eu me encanto toda vez que lembro da maquiagem borrada, do sorriso malicioso, das marcas de tapas e toques com mais força por todo seu corpo, e isso se perpetuou até o amanhecer, que foi quando ambos deleitamos do apogeu do prazer praticamente que ao mesmo tempo. Não paramos até que sentíssemos os braços e as pernas trêmulas e a respiração que pedia por socorro. Feito isso nos deitamos, o isqueiro e o maço percorrem ambas as mãos, o cigarro entre os dedos e a taça na mesma mão fecharam a noite, ou melhor, o dia.

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    Textos reflexivos a partir de ideologias ou teorias interpessoais que, quando conectadas a fatores externos formam um conjunto filosófico de questionamentos.

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