Por, Nenê Altro

Abro os olhos, eis minha revolução. O primeiro suspiro, eis minha causa. Abro as janelas, eis minha bandeira. Todo esse mundo é meu, toda essa vida me pertence. Não vivo a história de ninguém, não quero poder algum, nem ordens pra dar ou pra receber. Tenho minha própria lei. Sou senhor absoluto de minhas pegadas na areia. Meu partido é o que não se parte, é tudo que faz parte do que quero.

Não devo satisfações a comitês, diretórios, camaradas. Não devo obrigações nem amizades. Minha senhora é minha vontade. Sou aquilo que sou, e o que sou é o que me move. Sou deus em minha alma, e, em minha verdade, minha própria calma. Meu altruísmo é egoísta, meu egoísmo é anarquista. Não nasci para dançar músicas que não me agradam. Ah, isso jamais… Não nasci pra brindar competência. Não nasci pra bater continência. Não nasci pra provar “sou capaz”.

Na minha revolução mando eu. Eu e mais ninguém. Pois ela só cabe a mim. Na minha revolução, bandeira rima com maneira, e causa não rima com dor. Não quero uma revolução para os outros, isso seria muito pouco, teria início e fim. Sou egoísta sim, e por isso sou assim, sedento de vida e de amor. Quero que cada um de meus dias seja repleto de alegrias. Que cada vontade que tenho receba um carinho intenso.

Que cada universo que toco seja tão livre quanto o meu. Pois é assim que eu vejo a vida. Na minha revolução não existe despedida. Sempre ficamos com o que amamos, sempre mantemos o que queremos. As vontades dos outros não nos dizem respeito. Suas “verdades” nos caem mal. São calçados apertados que machucam os passos.

Ninguém nasceu para fazer o que não tem vontade. Nem por violência, nem por conveniência, nem por chantagem. Por isso ando descalço. Porque, na minha revolução, eu beijo o oceano em meus passos. Sinto seu gosto com a planta dos pés.

Meus hinos eu canto com as ondas, e vivo sem nenhuma vergonha de querer ou desquerer se quiser. Mudo assim com o vento, por isso não aceito governos, nem nada o que diga o que devo ou não devo fazer pra alguém me aceitar.

Na minha revolução, mando na dança dos meus dias, e incendeio o que há de “não vida”, em suas missas e funerais. Abro os olhos, eis minha revolução. O primeiro suspiro, eis minha causa. Abro as janelas, eis minha bandeira. O resto camarada, pra mim é besteira.

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