Sobre algo curtinho que escrevi na virada do ano

No meu mundo eu deveria ser livre. Deveria ser livre mesmo que no nosso eu seja nada além de desencanto. No meu sonho eu deveria ir longe. É loucura desejar o que pode nunca acontecer, mas o que se poderia querer se não o que lhe é verdade? Os meses passaram para expor que não há certo nem errado. Que não se agrada a todos e que toda existência é bela assim como desgraçada em determinados ângulos. A miopia está no mirar de olhos odiosos daqueles que determinam a razão, julgando o bem e o mal. Tudo é bem. Tudo é mal.

“Aquele umbroso frescor, como a sombra está para o raio de sol. Semelhante ao pouso de uma mão imóvel no meio de uma correnteza.” Marcel Proust

Seja sombra, seja raio de sol. Seja imóvel e seja correnteza. Não tema a sua ambivalência. Não tolere que o medo do mundo apague a chama cuja força é subsistência para ser você. Seja sua, antes de qualquer outro ser. Antes dele. Antes dela. Antes de quem lhe deu vida e de quem a tirou. Antes da imagem dos reflexos tortos do que se poderia ser. Seja impossível. Seja aquilo que é você plena. Que seja o recomeço, o fim, o tudo ou o nada. Seja o querer sem o receio de atender aos sentidos. Não faça nenhum sentido. Seja sem duvidar que as dúvidas virão. Não há tempo para ser covarde quando se é inteiro.