Sobre começar as coisas, sem pensar muito a respeito

19/10/2016

Esta é a minha primeira tentativa de escrever aqui. Até agora, apenas listei idéias e assuntos que eu gostaria de abordar; copiei e cataloguei links que poderiam complementar estes tópicos; e conversei com pessoas, falando em voz alta que eu “estava dando início a um projeto de blog” (quando tu fala em voz alta as coisas parecem tão oficiais, não é mesmo?). Mas, ontem a noite me encontrei estudando seriamente para escrever um texto sobre a escritora Chimamanda Ngozi Adichie. Li resenhas críticas sobre os livros, enquanto ouvia suas entrevistas e transcrevia desesperada trechos e citações numa esquizofrenia típica do formato de artigo acadêmico. Fora alguns eventuais “textões” na timeline do Facebook, meus trabalhos de faculdade foram as últimas escritas públicas das quais desenvolvi nos últimos anos.

Digo públicas porque há alguns anos (sete, pra ser exata) eu mantenho o hábito de escrever no privado. De tempos em tempos, registro em pequenos cadernos: pensamentos, impressões, frases, sonhos, desenhos, whatevers que surgem nos momentos em que estou afim de rabiscar. Sem nenhuma regra, muitas vezes sem nenhum sentido ou até mesmo bastante ilegível, dado a velocidade feroz da escrita com canetinha.

Mas o que eu quero dizer é…. (falando agora como uma pessoa que revelou ter um diário depois de “grande” e que usa como justificativa para si mesma — pra não ficar mal — que mulheres incríveis como a Sylvia Plath escreveram diários por toda a vida e que muitos outros escritores foda consideram este hábito muito relevante na vida de um criativo) …que talvez eu queira libertar para fora meu formato de escrita privada. Misturando-o com uma dose controlada e comprimida dessa mania de escrever em formato de artigo. Gerando textos mais soltos e fluídos, “menos caprichados” e mais próximos do precipício do auto-julgamento de “porque alguém se interessaria em ler a minha opinião sobre determinada coisa?” — um questionamento que me persegue e me lima nas mais diversas manifestações artísticas e que seria por si só um ótimo tópico para um texto futuro. Pensar demais muitas vezes (e nesse momento com certeza) faz mal. Então to dando um basta para as tendências de overthinking e tá aí: o post inaugural.

PS: e se também está te faltando um pouco de espírito de foda-se para dar partida em algum projeto, aí vão algumas palavras de incentivo do Tobias Van Schneider:

“The only way a side project will work is if people give themselves permission to think simple, to change their minds, to fail — basically, to not take them too seriously, When you treat something like it’s stupid, you have fun with it, you don’t put too much structure around it. You can enjoy different types of success”