Liberdade?

Passei anos preso, sempre a mercê dele, pude agora vir à tona. Ele, que sempre é altivo, expansivo e seguro de si, mas que no fundo quando as coisas parecem não funcionar, se refugiava em mim, o pequeno, o singelo, o humilde, o fraco. Por muito tempo vi o mundo apenas pelas sombras produzidas por ele, assim como o homem na Alegoria da Caverna de Platão. Hoje, encontro-me ombro a ombro com ele, no entanto me pergunto: Por que me deixar sair, depois de tanto tempo acorrentado? Eu não possuo a resposta e aparentemente ele também não. Olho pro lado e vejo um jovem encarando o céu, seu olhar se perde em seus pensamentos e seus passos seguem o “caminho traçado pelo vento”, como ele costuma dizer. Devo ajudá-lo a encontrar um caminho, a norteá-lo neste mundo? Acredito que não, não sou capaz disso, apesar de parecer perdido ele sempre soube se encontrar. Qual seria minha função então, neste novo mundo tão exótico para mim? Talvez seja acompanhá-lo e ser mais uma complexidade em sua mente, já repleta de ideias, ideais e análises.

Ravel