“Tô apaixonado por você!”

Muitas vezes em alguns filmes ou séries os personagens sempre transformam o momento de falar “eu te amo” num big deal. Já vi série que tratou um episódio inteiro sobre isso uma vez. Eu já falei “eu te amo” em relacionamento e nem é sobre isso que quero falar, porque se você entra num relacionamento sem acreditar que ama a pessoa (não precisa nem amar de verdade, apenas achar que ama) você não devia nem tá namorando, por isso eu nem faço big deals pra falar “eu te amo”, se eu falo primeiro ou se espero falar… whatever. Bem, vou falar neste texto enquanto tô aqui passando o resto do meu horário de almoço num Subway que big deal para mim é falar “tô apaixonado por você”, quando eu não estou namorando a pessoa.

Sim… sou desses que já fez isso. E fiz três vezes. Nenhuma teve um bom retorno (não que eu estivesse esperando alguma reciprocidade (mentira, em algumas eu tava sim) mas no fim foram “tô apaixonado por você” que se eu tivesse guardado comigo teria sido melhor (eu acho)).

Obviamente falarei sobre cada situação aqui e o que se desenrolou depois e/ou antes.

Quando eu tinha 25 anos eu estava apaixonado por um cara que era meu amigo. Foi aquela paixonite que nasceu de um carinho e de uma fragilidade que eu via no cara por causa do período que ele tava vivendo naquele ano. Enfim, acabamos ficando depois de alguns meses de amizade e eu apaixonadíssimo enquanto ele estava apenas matando um tesão momentâneo. O engraçado dessa situação em questão é que não me lembro onde estávamos, se era dia ou noite, se estávamos vestidos ou sem camiseta… apenas me lembro da cara que ele fez quando disse “tô apaixonado por você. A cara de decepção e “que disgraça” foi tão grande que isso me marcou mais que o que me levou a falar aquilo ou o que senti depois de ver a reação dele por ter sido pego de surpresa.

Enfim, por mais que isso tenha 5 anos apenas, minha memória não sabe definir muito bem o que aconteceu exatamente nos dias após, mas a pessoa apaixonada sempre cobra mais do que pode e deve ao objeto da paixão e, lembro que depois de algumas decepções minhas por coisas criadas da minha cabeça, eu simplesmente parei de falar com ele. Não briguei, não xinguei e nem cobrei nada, eu apenas dei um tempo para que meu sentimento morresse. Uns meses após o afastamento, a gente se reaproximou, voltamos a sair e eu conheci um futuro ex namorado, fazendo a minha paixão por ele ir embora. O ruim foi que nossa amizade nunca mais foi a mesma como era antes do “tô apaixonado por você”, mas gosto muito dele e tenho um carinho enorme. A possibilidade dele ler este texto aqui e saber que é sobre ele é bem grande, por isso deixo um recado: você é uma das minhas pessoas favoritas :*.

A situação acima foi relativamente fácil de superar porque se apaixonar sem ser correspondido por uma pessoa normal é ok. Mas imagina se apaixonar aos 17 anos por um sociopata?

Poisé, tive esse azar. Primeira boca barbada que beijei, primeiro pau duro que peguei que não era o meu e eu estava deliciosamente apaixonado por um carinha da mesma idade que eu, lindo, gente boa, e que beijava bem para caralho.

Mas aí um dia ele decidiu parar de falar comigo do nada e eu pirei. Sofri demais, esmurrei a parede do meu quarto, quis chorar muito e não conseguia (lembro muito a vontade de chorar que sentia e não conseguia). Tá, mas você pode tá pensando que ele resolver parar de falar comigo não é sinal de que ele é sociopata… Não, não é. Mas ele me usou pra se aproximar de uns amigos meus e depois tentou fazer esses meus amigos brigarem comigo, tentando jogá-los contra mim. Depois jogou um contra o outro e se reaproximou de mim para que eu brigasse com outra pessoa… enfim… a história é doentia, louca e se arrastou por longos meses. E o fato de eu estar apaixonado por ele e ter 17 anos (e depois 18), me deixava sem coragem de me afastar, pela própria inexperiência que tive na situação. Então foi um longo período sendo usado por um cara que sabia que eu era apaixonado por ele, que tirava proveito disso porque ele sabia que eu queria me manter no círculo de amigos dele. Eu via ele usando as pessoas, destruindo amizades, mas ficava calado, porque gostava demais dele. Se eu não tivesse falado “tô apaixonado por você”, talvez ele teria me deixado de lado e eu o esqueceria mais rápido.

A forma que eu disse que estava apaixonado por ele, foi uma das maneiras mais impulsivas que eu poderia ter dito isso e que me fez passar os meses seguintes querendo enfiar a minha cara embaixo da terra de tanta vergonha. Era período de Fenamilho e eu estava no Paiolão, bêbado (provavelmente tinha bebido umas duas Birinight sabor laranja) e quase no fim da noite, eu estava no meio do local (que é tipo uma Arena, sendo a parte do meio a mais baixa e oval e em volta havia umas arquibancadas onde o povo também ficava).

BiriNight para quem não se lembra

O vi numa das partes mais altas da arquibancada (naquele dia era a época em que ele não estava falando comigo, eu não sabia o porquê e nem imaginava que ele estava fazendo de tudo para que os amigos que o apresentei brigassem comigo), respirei fundo e subi a arquibancada correndo, cheguei atrás dele o puxei contra meu peito e falei mais ou menos assim “Não sei o que eu fiz para você, mas quero que você saiba que estou apaixonado por você”, na mesma hora ele olhou para trás para ver quem era o doido que tinha falado isso e quando me viu, antes que ele esboçasse qualquer reação, tirei um anel que ele tinha me dado (na segunda ou terceira vez que tínhamos ficado), devolvi para ele e antes que ele falasse algo, saí correndo e o deixei olhando para o anel e para mim. Torci muito para que ele sofresse horrores com esse momento, mas meses depois esse cara deu o anel para um outro que ele ficou, esse cara que recebeu esse anel (quando descobriu que a minha paixão era sociopata) deu esse anel pra outra “vítima” da minha paixão e.. nossa, eu tô me alongando demais, posso contar essa história melhor se isso interessar alguém. Mas vamos prosseguir.

Não bastasse essas duas vezes, ainda falei “tô apaixonado por você” mais uma vez que, se eu pensar bem, nem foi um bom negocio.

29 anos, super recente essa, tava numa festa da Unicamp (que ainda nem fez um ano porque não recebi lembrança dessa tal festa no facebook), tava lá eu com o boy que tava pegando há uns três meses já. Em um momento a gente se separou dos amigos dele e fomos para o meio da pistinha de dança. Tava tocando uma música legal, ele tava dançando de uma maneira bem legal, e eu vi que eu realmente tava apaixonado pelo boy. Então puxei ele para perto de mim, e falei “Tô apaixonado por você”, ele sorriu, e respondeu “eu também tô apaixonado por você”, a música tocava, a gente coninuou se beijando, a câmera se afastou e o foco de luz ficou somente em nós dois, as pessoas em volta viraram borrões e o beijo se prolongou até o momento que as palavras “The End” apareceram na tela. Err…. bem, voltando para a realidade. A gente se beijou, eu realmente acredito que ele estava apaixonado por mim, mas ele não segurou a marimba de gostar de alguém como eu, fazendo eu tomar no cu gostoso quando ele decidiu não continuar comigo repentinamente uns meses depois.

Esse foi o único “Tô apaixonado por você” que eu não me arrependi de falar 23 segundos depois, mas também não é algo que tenha feito alguma diferença na minha vida, passar com ou sem ele não iria mudar muito nossa história.

Enfim, meu horário de almoço terminou, foi bom contar mais uma história da minha vida aqui, e eu tô sem um parágrafo para amarrar e dar um bom fim neste texto, por isso termino somente com um tchau mesmo e até a próxima.

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