Os 90 minutos, os acréscimos e o pós-jogo

Por: Vinícius de Oliveira/FutebolNews

E começa a Copa do Mundo

O grupo em que o Brasil estava, o grupo 6, era composto por União Soviética, Escócia e Nova Zelândia.

Dia 14/6/82. Enfim, o Brasil entraria em campo, depois de longa preparação e, por que não(?), produtiva. Tínhamos bons jogadores e acima de tudo, um bom time. Um grupo.

Brasil 2x1 URSS: Jogo pesado, duro. Difícil de jogar…(e de assistir).

O primeiro jogo seria contra a União Soviética. Jogo duro, mas nosso time era melhor, não devia ter muitas complicações…Não devia…, mas teve.

A escalação brasileira foi a seguinte: Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho, Júnior, Falcão, Sócrates(C), Zico, Dirceu(!), Serginho e Éder.

Bem, sabíamos que não teríamos Cerezo, portanto a reposição seria feita, logicamente, com Paulo Isidoro, que foi titular por 2 anos. Sim, logicamente, mas não: Telê opta por Dirceu.

Com a ida pra reserva de Paulo Isidoro, jogador que disputou 52 jogos pela Seleção antes da Copa, volta à tona a conversa de insegurança dos jogadores, se sai um jogador titular por 2 anos e entra um outro, isso poderia acontecer em qualquer momento com qualqer um. Era visível essa insegurança dos jogadores: erravam passes, ninguém acertava coisa alguma. Com exceção de Júnior, craque que era, estava bem. O resto estava abaixo. O Brasil se limitou a fazer jogadas aéreas.

O time soviético era duro e não queria perder o jogo, e, aos 34 minutos do primeiro tempo, Bal abre o placar para os soviéticos, depois de falha de Valdir Peres.

Depois desse gol, os soviéticos optaram por se defender e sair com a vitória. Mesmo não jogando bem, nosso time atacava. Mas, como no amistoso contra Portugal: Serginho muito isolado na frente e, além disso, Dirceu não entrava no jogo.

Em livro de Milton Leite, grande narrador brasileiro, Zico comenta o primeiro jogo na Copa de 82: “Com a escalação do Dirceu, que era canhoto mas entrou pra jogar pelo lado direito, o time ficou desequilibrado.” diz o Galinho. Ele fala, ainda, da importância de Paulo Isidoro no time, “Havia dois anos que o time jogava de uma forma, com o Paulo Isidoro por ali. Tanto que quando ele entrou no segundo tempo, o jogo fluiu e conseguimos a vitória.”

Quando entra Paulo Isidoro no lugar de Dirceu, o time mudou. Paulo Isidoro era um excelente jogador por si só, mas também reestabeleceu a confiança nos demais. Afinal, era aquele o time “titular”. Por exemplo: Sócrates, que estava mal, comeu a bola no segundo tempo, inclusive fez o gol de empate. Um golaço. Zico, que ainda tentava coisa ou outra mas não conseguia fazer muito, melhorou. Serginho também já não estava mais tão isolado na frente, foi melhor e assim foi o time. Se acertaram, se conheciam.

E não deu outra: Sócrates, aos 30 minutos do segundo tempo empata o jogo. O Doutor dribla dois marcadores e faz um dos gols mais bonitos do Brasil em Copas do Mundo. E Éder, aos 43 minutos do segundo tempo, desempata o jogo e dá a vitória para o Brasil. O gol de Éder não fica muito atrás do gol de Sócrates, com passe de Paulo Isidoro e um corta-luz perfeito de Falcão, Éder ergue a bola e faz um belo gol num chute forte, com o peito do pé.

Assim foi a estreia do Brasil, grande espírito de luta, uma partida limpa e sem violência. Nossa defesa se mostrou segura, e Valdir não foi acionado nenhuma vez no jogo. É verdade que falhou no gol dos soviéticos, mas só, aquilo sequer foi um frango, só uma falha… Não foi uma péssima atuação do goleiro, aliás, quase nem atuou!

A única coisa que foi prejudicial ao time foi o grande nervosismo, os jogadores nitidamente estavam nervosos. Talvez por isso, o gol levado por Valdir. Estavam apreensivos. Sócrates, controlado, firme, deu alguns vacilos, Falcão, que jogou demais, também falhou aqui ou ali. Zico e Éder também.

Mas entrou Paulo Isidoro, o time pôs a cabeça no lugar e jogou o que sabe, o que se espera, e saiu de campo com a vitória. 2x1 para o Brasil.

Brasil 4x1 Escócia: Adversário pouco conhecido. Brasil jogando o que conhecemos do Brasil. Jogando muito bem.

O segundo jogo desta fase seria contra a Escócia, a imprevisível Escócia, no dia 18/6/82. Imprevisível sim, como diz Saldanha: “‘Este time é capaz de maravilhas e das piores coisas que o futebol pode apresentar”.

De fato, nosso time era superior e assim se portou no jogo, foi ofensivo. E ofensiva era a escalação do time, sem Dirceu, dessa vez, que era uma peça voltada pro jogo pegado, duro, defensivo. O 11 inicial brasileira era o seguinte: Valdir Peres; Leandro, Oscar (Edevaldo), Luizinho e Junior; Cerezo, Falcão, Sócrates(C), Zico, Éder e Serginho. Enfim o carrossel brasileiro.

Apesar de sermos superiores, a Escócia saiu na frente com Narey, aos 18 minutos do primeiro tempo, numa jogada que parecia não levar muito perigo: Um lançamento longo, a bola é ajeitada para Narey, que dá um belo chute e acerta o ângulo, Valdir Peres nada pôde fazer, belo gol escocês.

Mas logo 15 minutos depois veio o empate, de uma bola parada sai o gol de empate do Brasil, 33 do primeiro tempo: Zico caprichosamente coloca a bola na gaveta, parecia que tinha colocado com as mãos. Uma pintura. Que bola jogava esse Zico. E assim foi o primeiro tempo, 1x1.

A virada veio logo aos 3 minutos do segundo tempo, com Oscar de cabeça, depois de bom escanteio cobrado por Júnior. Éder marca o terceiro gol brasileiro, aos 18. Um pedaço de gol de Éder: Falcão, na intermediária defensiva brasileira, toca Sócrates, no meio, o Doutor conduz a bola e dá pra Serginho, que dá um toque entre as pernas do zagueiro escocês para Éder. O número 11 da seleção ajeita, vê que o goleiro está adiantado e dá um toque por baixo da bola cobrindo o goleiro. Uma pintura, um golaço. Mais um lindo gol pra conta de Éder.

O quarto gol sairia após bom lançamento de Oscar para Éder, que avançou para o ataque. Éder toca a bola para Cerezo, que toca para Sócrates, o Magrão domina e só rola para Falcão, que pega de primeira e manda no canto. A bola ainda toca na trave antes de entrar, lindo gol do Brasil. 4x1 e uma aula de bola, uma vitória muito mais convincente, e, acima de tudo, o time “jogando o fino” da bola.

Brasil x Nova Zelândia, ou melhor: BRASIL 4x1 Nova Zzz.

Dia 23/6/82. Enfim, o último jogo da primeira fase da Copa do Mundo. Enfrentamos um adversário fraco, um adversário ruim. Jogava mal o time da Nova Zelândia, e além disso, jogava feio. Batiam demais, assim foi contra os soviéticos e contra os escocêses, mas nada muito preocupante contra nós. Uma pegada do Mckay em Júnior e nada demais.

O primeiro gol brasileiro saiu aos 28 minutos do primeiro tempo, após bom cruzamento de Leandro que encontrou Zico, o ‘Galinho’, com toda sua classe e genialidade, puxou um volêio/bicicleta e marcou o primeiro gol. Mais um belo gol de Zico. Começa o carreto da Seleção brasileira. 1x0.

Após desarme de Falcão, o mesmo Falcão toca rápido para Zico, que abre a jogada com Sócrates, o Magrão carrega, deixa para Leandro, que encontra Zico no meio da área e o 10 da Seleção bate no canto, sai o segundo gol brasileiro aos 31 minutos. 2x0. Depois do gol, algumas chances criadas, outra tentativa de biciclieta de Zico, outras chances desperdiçadas e acaba o primeiro tempo.

No segundo tempo, Serginho teve chances para fazer seu primeiro gol na Copa, criou outras, e afins. Mostrava vontade o 9 da Seleção, tentou até fazer um gol de calcanhar.

O terceiro gol brasileiro sai após desarme de Oscar, que toca para Sócrates, para Falcão, que devolve para Sócrates, ele toca para Zico que de primeira lança Falcão. O Rei de Roma domina a bola, invade a área e amplica o marcador para o Brasil. 3x0 e outra aula de contra-ataque. Segue o baile.

Enfim sai o gol de Serginho. Após troca de passes, Júnior lança Zico, já dentro da área, o camisa 10 domina, finta o zagueiro e chuta cruzado. Serginho, como camisa 9, coloca o pé entre goleiro e zagueiros, e empurra a bola para o gol. 4x0 para o Brasil. Vitória esperada, time jogando bem e recebendo o reconhecimento da torcida, que aplaudiu muito o nosso time.

Agora é mata-mata!

Passada a fase de grupos, e classificados 2 de cada grupo, o que dá um total de 12 classificados, monta-se novos Grupos ou Chaves de 3 seleções. todos se enfrentam e passa o que mais pontuou.

O grupo que o Brasil foi colocado: Argentina, Brasil e Itália.

Um grupo complicado, pelo tamanho das 3 equipes…a Argentina era a então Campeã do Mundo, pelo título conseguido em casa 4 anos atrás…, a Itália ganhou o segundo e terceiro mundiais(34 e 38), mas já havia chegado longe em outras Copas, inclusive decidindo o Tri com o Brasil, em 1970.

Nessa copa, bem…, a Itália fez uma má campanha, conseguiu três empates(0x0 Polônia, 1x1 Peru e 1x1 Camarões) e só se classificou porque marcara um gol a mais que os Leões Indomáveis de Camarões. Já a Argentina conseguiu duas vitórias(4x1 na Hungria e 2x0 em El Salvador) e só perdeu para a Bélgica(0x1), uma campanha até tranquila.

E o Brasil: 3 vitórias. Como tem sido dito no texto, nosso futebol se sobressairia, caso os nossos jogadores se encontrassem em campo e jogassem o que sabem, tanto individualmente quanto em conjunto.

Brasil 3x1 Argentina: Jogo nervoso, como todo Brasil e Argentina. Mas que acabou ficando fácil.

Até 1982, tínhamos jogado apenas dois jogos contra a Argentina em Copas do Mundo. Os dois em 1978, Copa sediada pela Argentina…No primeiro jogo, 2–1 para o Brasil, o segundo foi 0–0. Copa que a Argentina se sagraria Campeã pela primeira vez.

E, neste dia, 2/7/82, o Brasil se sobressaiu ante os Argentinos. Foi intenso. Foi nervoso, nervoso até Éder mandar um foguetaço no travessão e na sobra Zico e Serginho disputarem quem faria o gol…Deu Zico. 1x0 Brasil. Mas vamos ao jogo…

É bem verdade que antes disso, os argentinos começaram apertando, tiveram uma boa chance com cabeceio de Galvan, nada muito difícil…Mas começaram fortes, até dominaram o jogo. Aí vem a genialidade de Éder e cobra uma falta daquelas, que ficou ainda mais bonita não sendo gol…o que pode ser contraditório. Enfim, 1x0, Zico(Éder).

O time argentino, que precisava a vitória, já que tinha perdido por 2x1 para a Itália, ficou ainda mais nervoso, já que precisava fazer 2 gols para ganhar. Todo mundo sabe: time nervoso é bucha, o time começava a se perder e só alguns jogavam bem, como Passarella e Maradona. Mas o primeiro tempo acabou assim: 1x0.

O segundo tempo se manteve igual, Argentina vinha, nos defendíamos bem, e ela continuava vindo. Teve um lance duvidoso, um pênalti não marcado para a Argentina em cima de Maradona, na minha opinião, penalti. Mas o juiz só deu escanteio. Segue o jogo.

O jogo foi lá e cá, Argentina vinha e chutava longe, Brasil mal criava, Sócrates e Zico não estavam tão bem, Cerezo se encarregou de marcar, mas Falcão…ah, o Falcão jogou por ele e mais dois.

Mas o Brasil passava a criar, fez boa jogada, Zico lançou Leandro na ponta direita, que cruzou para Zico e ele quase fez mais um de voleio. Quase. Logo depois, mesma coisa, Zico lança na direita, dessa vez pro incansável Falcão. Ele, com toda sua inteligência, vê Serginho e só coloca na cabeça de Chulapa, que cabeceia forte pro gol de Fillol. 2x0 Brasil, golaço, linda jogada.

A Argentina vinha, principalmente com o genial Maradona, mas falhava na finalizaão. Até que Júnior e Zico brincaram de futebol, parecia jogada de pelada, de jogo precedido por pagode. Júnior tocou para Zico que colocou no meio da zaga argentina, Júnior penetrou e fez o terceiro. Com direito a comemoração com sambinha de Júnior, brilha, Capacete! Brilha, Brasil! Golaço!

Com o 3x0, os times se tornaram o oposto: Brasil tranquilo(até demais, com algumas bolas perdidas e até firulas), Argentina desesperada. Isso fica claro com a expulsão de Maradona, que deu um coice em Falcão.

A Argentina ainda faria um gol no finalzinho do jogo, Passarella roubou a bola, tocou para Ramon Díaz, que fez um bonito gol. 3x1 faltando alguns minutos para o fim. O gol de honra argentino.

Com a vitória sobre a Argentina, sacramentamos a eliminação de nossos adversários albicelestes. E disputaríamos a vaga na próxima fase contra a Itália, que tinha vencido os Argentinos por 2–1. Tínhamos a vantagem do empate, por termos melhor saldo de gol.

Brasil 2x3 Itália: A Tragédia do Sarriá. Uma das maiores tristezas do futebol brasileiro.

Brasil e Itália. Jogo importantíssimo, jogo grande, jogo triste…Duas seleções que já haviam conquistado mais de 2 títulos, que disputaram o Tri juntas em 70(4–1 para o Brasil).

A Itália sempre forte, ganhou os campeonatos de 34 e 38, longínquos, mas ainda assim se mantiveram fortes com o tempo. Tinham jogadores experientes, que se conheciam. A Itália, mesmo em crise, era um adversário a ser respeitado.

Bem, o jogo foi lá e cá, foi duro, foi nervoso. Os italianos tinham noção de que Zico e Falcão, monstros brasileiros naquela copa, não poderiam jogar tão livres e, além disso, a defesa do Brasil não era lá essas coisas, especialmente na jogada aérea.

Começa o jogo. 1x0 Itália. Logo aos 5 minutos, ele: Rossi, fazia seu primeiro gol no Sarriá, sobe, sozinho, e dá uma cabeçada sem chances para Valdir Peres. Antes disso, já tinha desperdiçado uma chance, coisa que não se repetiu na segunda. 1x0 Itália.

O Brasil ia pra cima, “ia indo, indo, indo e IU”. Serginho já perdia uma chance incrível. Mas o empate veio logo aos 12 minutos, com Sócrates depois de bela jogada de Zico e linda assistência pro Doutor. 1x1, brasileiros um pouco menos nervosos: o empate bastava.

Mas, logo aos 25 minutos, Rossi faz de novo: Cerezo tenta atravessar uma bola pelo meio, Rossi se antecipa e é mortal. 2x1 Itália, volta o nervosismo dos jogadores.

O primeiro tempo acabaria com lance duvidoso, um penalti reclamado pelos jogadores brasileiros em cima de Zico, que o jogador italiano puxou Zico é verdade, tanto é que rasgou a camiseta dele, mas, segundo o Juizão, Zico já estava me condição de impedimento, portanto, nada a marcar…Fim do primeiro tempo, 2x1 Itália.

O segundo tempo começou da forma que terminou o primeiro: o Brasil ia pra cima, ia e ia e mais um pouco. Chegou a ter chances, uma com Falcão, outra com Serginho. A Itália também chegava: Rossi quase marca seu terceiro gol, quando aparece livre dentro da área e manda pra fora.

Mas o Brasil vem, dessa vez, Junior recebe e corta para o meio, faz sua corrida e rola para Falcão, que estava livre, ele recebe, puxa pro meio e fica livre, de frente pro gol, o número 15 brasileiro dá um belo d’um chute e empata. 2x2 Brasil e repito: O empate servia.

Mas, numa joga de escanteio, vem o terceiro gol da Itália e as milhares de lágrimas dos torcedores brasileiros: vem a bola, a defesa tira parcialmente e Tardelli chuta de primeira, chuta fraco…Mas lá estava ele, o carrasco do Brasil, Paolo Rossi estava no lugar certo e na hora certa, ele desvia a bola para dentro do gol e 3x2 para a Azzurra.

Veio a Itália de novo e teve um gol mal anulado, era o 4x2 e provavelmente o sacramentar da eliminação do Brasil. Mas o juiz errou e o Brasil teve uma segunda chance, continuavam os brasileiros a acreditar.

Mas, talvez os brasileiros que ainda acreditavam tenham se entregado ao choro quando, nos minutos finais, num forte cabeceio de Oscar, Zoff defende em cima da linha, quase dentro do gol. Ali, muitos tiveram a certeza da triste eliminação do Brasil. Ainda nos últimos lances, Éder quase faz um gol olímpico, Zoff estava lá.

3x2. Apita o refe.

Acabou o jogo. Acabou a alegria do brasileiro. Acabou o futebol. Acabou.

Post mortem

Depois da Copa de 82, o que sobrou foi tristeza. Uma nação levemente desacreditada de seu futebol… Como foi em 50, também em 66. O que é justo, uma reação proporcional à uma das maiores tragédias do nosso futebol.

Em 86, o Brasil acabou eliminado pela França logo nas quartas-de-final, num jogo em que Zico e Sócrates perderam seus penaltis e a França (que seria uma baita de uma pedra no sapato a partir dali) se classificou para a próxima fase… Fora isso, nada demais. Um Brasil abaixo do que se esperava.

Bem, o que sobra é a angústia por não poder explicar a derrota de uma seleção tão grandiosa, a tristeza por não poder aquele Dream Team erguer uma taça e a esperança de um dia termos uma seleção tão brilhante quanto a de 82… Um futebol realmente brilhante, com um futebol que anima até o mais pessimista dos brasileiros, que encanta o mais pragmático dos pragmáticos.

Fica a esperança de ver, depois de tanto tempo…, um verdadeiro futebol-arte.

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