O pior texto que já escrevi
Esta se tornando cada vez mais difícil escrever. Eu costumava escrever baseado no que estou sentido no momento, mas talvez esse seja o problema, eu não sinto nada. Talvez seja meu remédio, mas foi minha escolha tomar; eu só consigo ficar funcional com eles. Antes deles eu só funcionava pela dor, eu era movido pelo desconforto, até que meu corpo e mente não aguentarem mais. Era 2017.
O sorriso humano, ou qualquer expressão facial verdadeira com gatilho emocional, se mantém no rosto por um período entre 0,4 segundos e 3 segundos. Quem me disse isso foi o meu médico, enquanto eu sorria falando que estava tudo bem e que não precisava de um tratamento, e que nada de errado estava acontecendo.
Talvez todo esse texto seja mais uma dissociação minha. Meus lapsos de memória estão voltando a aumentar, minha noção de tempo e espaço, mas não consigo de fato reclamar disso, porque quando estou consciente, eu não sinto nada. Nada sólido, diria eu, mas eu me sinto preso na minha própria cabeça. É claustrofóbico quando sua mente é seu pior inimigo.
Faz meses desde a minha última relação emocional decente. É impossível quando tudo que eu quero é me isolar, seguidos de lapsos impulsivos, que não são fortes o bastante para vencer minha auto sabotagem. Então, eu me isolo novamente. Eu estou cansado demais pra isso. Eu acordo, vou para o trabalho, trabalho por 8 ou 9 horas, vou para a faculdade, volto para casa e durmo escutando alguma música.Para fazer isso, toda noite eu tomo o que eu chamo de “pílula da felicidade”, é o que me torna funcional, é o que consegue me tirar da cama, mas não é o bastante para, no momento em que o trem das 07:08 esta parando na estação eu não pense quão rápido eu terminaria isso se entrasse na frente dele. A pior parte é que nem os sentimentos necessários para agir conseguem aparecer.
Sinto falta de algo, mas não sei exatamente o quê, ou quem. Esse é meu pior texto, da minha pior fase, tentando dar meu melhor.
Assim que ele termina, como tudo na minha vida.