A resposta claramente não é econômica: é moral e política
Sobre o fenômeno dos trabalhos de merda
VERTIGENS
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Daria um passo além: a resposta é existencial. Nos países onde o capitalismo atua de modo mais complexo (em termos tecnológicos, econômicos e organizacionais), não bastou a produção de um exército de reserva à espera de inserção no mercado de trabalho, sendo necessária a criação de empregos supérfluos para manter a engrenagem em movimento. O resultado desse processo é o tédio — e o tédio, em suas mais variadas nuances, está relacionado a uma perda de sentido da própria existência. Trabalhadores entediados, de terceirizados a executivos de empresas, se preocupam mais em sobreviver e manter o que já possuem, mesmo que isso lhes custe o agravamento de sua saúde (no caso dos terceirizados) ou o luxo adquirido (executivos) — com a sensação beckettiana de que não há nada a ser feito

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