Eu, Veridiana, e meu nome

Devo confessar que durante a minha alfabetização eu estranhava o meu nome. Sempre que tinha que escrever ficava irritada com a dificuldade de fazer o V e também com a grandeza do meu nome. Não conseguia compreender o porquê de meus pais terem escolhido um nome com nove letras.

Depois que aprendi até que ficou mais tranquilo mas aí começou uma outra questão, ao me apresentar. Todas as vezes em que eu falava que meu nome era Veridiana eu escutava “Como?”, “O quê?”, etc. Pouquíssimas foram as vezes, e olha que me recordo bem disso, que acertavam o meu nome de primeira. Eu já sabia que toda vez que me apresentava alguém ia questionar a origem dele, ou dizer que era forte, bonito, estranho, sei lá. Era incrível, era só terminar de dizer meu nome que algum argumento vinha.

Quando eu estava no ensino fundamental sofri o famoso bullying, agora eu duvido você acertar o motivo. Sim, meu nome esteve entre uma das fontes de piadinhas sem graça. Era tudo quanto é junção de palavras que eram parecidas sonoramente com o meu nome. Para situar eu dou exemplos, era parmegiana, parnasiana, vegetaria, Veríssimo e mais outros.

Parece bobinho hoje, eu sei bem, mas devo admitir que foi nessa fase que odiei o meu nome. Não concebia a ideia de alguém se chamar Veridiana e motivo de meus pais terem feito isso comigo. Eu juro, cheguei a pensar que preferia que meu nome fosse Ana, só Ana, sem nada mais.

Depois de um tempo as piadinhas pararam de fazer efeito, lembro de simplesmente ignorar. Adquiri uma capacidade de ignorar os estranhamentos e questionamentos. Na verdade, já me apresentava esperando as perguntas. Sempre que tinha que me apresentar em lugares novos e cheios de gente eu torcia para ter outras pessoas com nomes diferentes.

Até que um dia estava com uma amiga em uma balada e, como padrão, nos apresentamos para umas meninas no banheiro. O nome dela era comum, ela disse primeiro e logo em seguida eu fui dizer o meu. Foi nesse momento que reparei que não era tão ruim assim estranharem meu nome. Assim que me apresentei a menina sorriu e comentou “Nossa, que nome forte”. Não, não era novidade para mim, mas naquele momento fez.

Foi ali que entendi que o meu nome não merecia os estranhamentos e desgostos que senti por grande parte da minha vida. Na verdade, era até bom isso, eu nunca passava despercebida. Mesmo quando a pessoa não lembrava o meu nome elas sempre gravavam que eu tinha um nome difícil, de alguma forma eu marcava em suas mentes.

Desde então me apresento sempre fazendo um jogo comigo mesma. Assim que começo a dizer meu nome também fico prestando atenção na expressão facial. Foi possível também perceber que há certos padrões quanto aos comentários posteriores, dependendo do ambiente.