SETEMBRO

Você me beija eternamente,
acordados depois de tantas batidas,
ainda somos os mesmos,
amando com nossos corações de ferro.

Em coretos coloridos, encontramos nossas vidas,
depois de tantas idas, essa banda ainda toca nossa alma,
essa música ainda arrepia nossa espinha e, essas cores
ainda residem vivas no mais profundo arco das nossas memórias.

Dai-me um beijo, que te toco um tanto.
E de tanto nos tocar, a gente aprende que,
algo passa a não funcionar no excesso de ausência.

E ainda que isso pareça não fazer sentido.
Mesmo que o divisor comum seja ilógico.
Ainda teremos setembro e, um vento quente
que nos une em um quarto de motel.

Transparentes, transpirando, um sobre o outro.
Relendo linhas que nunca deixaram de ser atuais.

E quando a hora termina, a gente sabe que, apesar
das medidas, o que nos cabe é incalculável.

Até que o tempo vença nossos corpos e
carregue nossos atos.

E para que tudo não vá com nossas fraquezas,
te escrevo esse texto anexado a todos os setembros.

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