Kiseijū: Sei no Kakuritsu — Parasyte [uma resenha simples]

Baseado no mangá seinen de Hitoshi Iwaaki (lançado entre 1990–1995), adaptado pelo estúdio Madhouse, foi lançado entre o final de 2014 e início de 2015. Kiseijū é sobre um jovem de ensino médio chamado Izumi Shinichi que mora em Tóquio. Shinichi é um garoto normal, e podemos dizer um tanto fraco e covarde, que tem a sua vida completamente transformada após ser infectado por um parasita. Não temos exatamente um explicação sobre a origem dos parasitas, apenas que eles começaram a aparecer em alguns lugares como larvas dentro de esferas brilhantes. A intenção dos parasitas é ter sucesso em chegar até o cérebro de um hospedeiro humano, conseguindo portanto total controle de seu corpo e aniquilar completamente a consciência da pessoa e conseguindo de certa forma evoluir de larva para um corpo humano — um corpo esquisito, bem esquisito — que optam por manter a forma humana escondendo sua verdadeira forma e passando a viver em sociedade como pessoas comuns. O grande problema, além do parasita tomar o cérebro da pessoa, é que ele se alimentam majoritariamente de seres humanos, sim eles comem gente! Então temos aqui um grande problema para a humanidade, aquela mesma humanidade que sempre acreditou que estaria no topo da cadeia alimentar, que explorar outros animais seja para comer, fazer bolsa ou utilizá-los como objetos para o esporte é ok. Essa é a parte de todo o enredo em que mais me toca, pois ao assistir um ser humano sendo comido vivo por algo que não é humano, entramos em certo conflito com a nossa moral e identidade como sociedade, causa uma repulsa e um juízo claro de que assassinar uma pessoa é errado, e aí lembramos que fazemos o mesmo com outros seres vivos e de repente percebemos que nós também somos um tipo de parasita para os outros seres e o meio ambiente. È correto utilizarmos nossa moral e julgar os outros seres como abaixo de nós porque nós sabemos que pensamos e eles não, e portanto utilizarmos suas vidas com o propósito de prolongar a nossa? Até onde isso é moral da perspectiva de um ecossistema onde nós somos apenas mais uma espécie entre tantas outras?

A trama começa quando um dos parasitas não tem sucesso em tomar o cérebro de Shinichi, se desenvolvendo em sua mão direita sem afetar o cérebro e portanto a consciência de Shinichi, fazendo então com que eles se vêem obrigados a coexistir e se ajudarem para sobreviver.

Uma das capacidades dos parasitas é a de sentir um parasita se aproximar, e é basicamente a partir disso que irá desenrolar toda a história, pois no momento em que um parasita que tomou o cérebro descobre que existe um parasita mal sucedido, dividindo um corpo com um humano faz com que eles sintam a sua existência ameaçada.

As lutas são muito bem feitas do ponto de vista de animação(Madhouse né?), se tratando de um clássico gore, elas são bem fluidas e algumas até em certo ponto intensas e que nos causa certa estranheza, até porque estamos falando de parasitas em corpo de humanos.

O parasita que tomou a mão direita de Shinichi ganha o nome de Migi(direita) e ele é sem dúvida o melhor personagem do anime, questionador e frio perante a humanidade e um assíduo leitor(risos) e no final todo mundo acaba simpatizando com ele, o que é bem incomum se tratando de parasitas, aliens e etc.

“Shinichi, eu pesquisei o conceito de demônios, eu acredito que, entre todas as espécies, os humanos são os mais próximos a eles. Os humanos matam e comem uma grande variedade de formas de vida. Minha espécie come apenas um ou dois tipos no máximo. Nós somos bastante simples em comparação.” Migi

A partir de um certo acidente, Migi se vê obrigado a tomar algumas medidas extremas com o corpo de Shinichi espalhando suas células pelo seu corpo e assim ficando cada vez mais conectado com o outro tanto de forma física como psicológica e a partir daí a gente vai se deparando com um Shinichi diferente do que conhecemos no inicio. Com as mudanças em seu corpo e mente, ele se afasta cada vez mais daquilo que era a sua essência e até mesmo humanidade, fazendo com que a sua melhor amiga perceba essa mudança e se preocupe com ele e o questione sempre(chega a ser irritante) se ele continua o mesmo.

Tamura Reiko é uma peça essencial, ela é parecida com o Migi no que diz respeito ao intelecto, mas seus questionamentos vão um pouco além dos de Migi. Tamura Reiko se questiona sobre a sua origem e propósito no mundo e possui certa sensibilidade comparada aos outros parasitas. A cena do parque em que ela se encontra com o Shinichi é uma das melhores cenas que eu já assisti, uma cena muito bem produzida, melancólica e filosófica.

No geral é uma obra interessante, bem animada que consegue cativar o espectador até o fim. Não é uma obra que possui conclusões claras, cabe ao espectador se questionar e tentar encontrar respostas ou não. Eu acho que apenas se questionar já é suficiente sobre nós como sociedade e lugar no mundo. As questões filosóficas eu não acho tão profundas como muitos dizem, isso pode ser bom ou ruim, depende de quem assiste. O final foi ok, bem concluído, com uma cena final inesperada e um pouco assustadora até. Vale muito a pena assistir, tem no Crunchyroll ;)

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