As vezes penso que não devia ter voltado…

No início de 2016, logo após meu casamento, decidimos juntos, minha mulher e eu, que iríamos cair no mundo, dar uma mochilada por aí.

Dito e feito. No dia 25 de janeiro, se não me falha a memória, pegamos um ônibus com destino à Argentina, mais especificamente Buenos Aires.

Fizemos uma escala em BsAs, já que nosso destino final era Córdoba, também no país dos hermanos. Passamos alguns dias e, então, embarcamos para a região conhecida como Pampa Argentina, na fronteira com as serras pampeanas, no sopé do Monte, ou pra facilitar, apenas Córdoba.

Jamais imaginei que a cidade mais populosa da Argentina depois de Buenos Aires, fosse me fazer tão bem. Uma pelo motivo de até então eu jamais ter pensado nessa cidade quando me imaginava visitando a Argentina e outra: Por que e o que é Córdoba?

Enfim, a cidade me surpreendeu, as pessoas me surpreenderam, a estadia foi ótima e ali aprendi MUITA coisa que jamais teria aprendido caso não tivesse cometido essa “loucura”. Que analisando agora, nem foi tão loucura assim. Haja visto a minha vontade de voltar para aquele país.

Foram praticamente 50 dias em terras argentinas, onde conheci novas culturas, novos hábitos, lugares incríveis, alimentação diferente, enfim, muita bagagem para toda vida.

Além disso, conhecer pessoas do mundo todo, com comportamentos extremamente diferentes do que você está acostumado, te faz crescer muito e rever muita coisa sobre a vida. Dentre essas pessoas, para você ter uma ideia, estão: Argentinos, Uruguaios, Alemães, Franceses, Chineses, Ingleses, Austríacos, Holandeses, Canadenses e por aí vai…

Asado com pessoas do mundo

Mas a reflexão que quero deixar aqui (talvez para mim mesmo) e que faço após um ano dessa experiência é: Será que eu não deveria ter ficado por lá?

Olha, eu ainda não tenho essa resposta, apesar de ter muita vontade de pegar minhas coisas e cair no mundão de novo. E por que eu falo isso?

Desde quando voltei, me sinto um peixe fora d’água. Mesmo estando em meu país, com acesso à todas as pessoas que conheço, amigos, família, comida e etc, não é a mesma coisa do que quando sai do Brasil.

As coisas por aqui parecem estar mais chatas, as pessoas mais intolerantes, um mundo cinza, sem graça. Nada tem o mesmo brilho da rua, da estrada.

A estrada para a Argentina

Quando a sua casa é o asfalto, mesmo que você não possa chamá-lo de lar, você vive o novo todo dia. Seja um novo conhecimento, uma nova situação, um novo desafio, tudo é novidade.

Esse sentimento de “não saber o que vem pela frente”, me motiva.

Apesar de parecer um pouco inseguro e instável, me sentia melhor assim do que agora que teoricamente estou “protegido”, fora do asfalto, em um “lar”.

Por aqui não vejo nada novo, por mais que estejamos buscando. Os papos são os mesmos todo santo dia, as pessoas são as mesmas, as reclamações são as mesmas, as polêmicas são as mesmas. Baita sintonia negativa, tá louco!

Na rua pelo menos não passava por esse tipo de situação. Na real, não existia tempo pra isso. Com tanta coisa nova acontecendo a cada minuto, a negatividade ficava em último plano. Ou melhor, nem existia essa negatividade, essa aflição.

Talvez um dos motivos de eu ter escrito esse primeiro texto aqui no Medium, seja esse: sentindo a falta de um clima bom, positivo, agradável, favorável.

Por isso, talvez em 80% do meu dia, eu me pego pensando nessa questão: Eu deveria mesmo ter voltado?

Embora a volta não tenha sido por motivos de vontade própria, pensando agora com mais calma, talvez a situação pudesse ter sido contornada e resolvida de lá mesmo.

Mas, agora não adianta ficar se lamentando. Estamos de volta há um ano e tudo que passamos por lá, ficou na lembrança. Na melhor parte da memória, diga-se de passagem.

Quem sabe não nos dá na cabeça o que deu há um ano atrás e façamos um repeteco?

Só o futuro dirá. Mas a vontade, ah, essa é grande, viu?!