Por dentro de uma escola ocupada

Estive hoje no E.E. Diadema, primeira escola a ser ocupada pelos estudantes em protesto. Os alunos organizaram uma reunião para esclarecer e tirar duvidas dos pais sobre o protesto.

Assim que cheguei ao local duas alunas estavam na entrada da escola recebendo os visitantes e colando etiquetas que elas mesmas fizeram com denominações para se organizarem melhor. Informei que eu não tinha nenhum parente estudante de lá e nem era aluna, ganhei uma etiqueta “pais”.

Antes mesmo de entrar no prédio, e em todo o caminho do portão pra dentro, tem cartazes e faixas com frases e gritos para que a escola não seja fechada.

Assim que se entra no prédio as barracas armadas no pátio tomam a sua visão e é lindo ver isso.

Cheguei na escola um pouco cedo para a reunião, o que me deu um tempo(que eu tava torcendo que tivesse) pra poder dar uma olhada em como estavam as coisas.

Os alunos organizam tudo sozinhos. Organizam sem os pais. Sem os professores. Sem o governo.

Na parte de fora da cozinha tem um cartaz dizendo os alunos que são responsáveis por cozinhar cada dia da semana. Os ocupantes consertaram uma tubulação que estava entupida com terra e vão construir uma barragem para que a terra pare de cair lá. Descobriram um vestiário na escola que estava fechado há anos sendo usado como depósito de entulhos, chamaram um eletricista e reviveram o vestiário. Sozinhos eles fizeram coisas que a administração do governo responsável pela escola desde que ela existe não fez. Sozinhos eles tem organizado palestras e apresentações teatrais na própria escola. Dizer “sozinhos” é até rude, eles estão muito juntos, todos eles lutando lado a lado por um bem maior e isso é visível em cada canto daquele lugar.

As 15h a reunião começou e os pais foram indicados a entrar em duas salas onde alunos e alguns professores esclareciam dúvidas e passavam informações sobre a situação. Assisti um pouco da reunião em uma das salas e fui ver como estava na outra. Tudo indo muito bem até uma mãe começar a se exaltar. Ela gritava com o professor que estava falando e todos os outros pais ficaram irritados também. Todos tentando esclarecer as coisas para ela ao mesmo tempo, foi bom ver que só aquela mãe pensava daquela maneira. Nessa hora alguns pais que estavam com crianças pequenas acharam melhor ir embora e eu não sei direito o que houve. Por fim tudo se acalmou e todos os visitantes foram para a outra sala e a reunião seguiu sensacionalmente até o fim. Não era um diálogo unilateral onde alguém lá na afrente só jogava informações. Os pais estavam muito presentes e dando suas opiniões, eles debatiam e contavam relatos, eles apoiavam a luta dos filhos com unhas e garras. Tiveram diversos momentos emocionantes e algumas histórias me fizeram chorar.

Vocês são foda e a luta de vocês é linda. Toda a força do mundo pra vocês e pra todos os alunos que estão ocupando as escolas dia e noite em nome de uma causa tão nobre quanto o direito a educação!