Existe profissional X pessoal ?

Uma reflexão sobre a forma como tornamos pessoas em profissionais

Essa semana li dois textos que me colocaram muito a pensar sobre carreira e objetivos de vida. De um certo modo, quase que instantâneo, ambos fizeram sentido e me colocaram a refletir: qual meu objetivo de vida? Sim. Falo de vida. Não só objetivo profissional. Cheguei a conclusão de que nós, seres humanos dotados do saber, não nos dividimos em ego pessoal e um possível alter ego profissional. Vou tentar explicar meu raciocínio…

O primeiro texto foi a história de uma executiva demitida que descobriu vida após o emprego corporativo:

O outro, foi este que gera uma reflexão sobre os caminhos já traçados por nossas gerações anteriores para nós da geração Y em diante.

Antes das profissões e cursos de graduação serem devidamente empacotados e desenvolvidos, o que existia era pessoas com determinadas habilidades, mais do que as outras em determinado campo, que faziam um intercâmbio para atender suas necessidades e as da sociedade. Isto é, se você sabe fazer pão, e eu roupas, precisamos um do outro para sobreviver. Simples assim. Depois veio a moeda. Primeiro na figura do sal com os comerciantes antigos, depois , como tudo, desenvolvida para formas parecidas como as de hoje.

A evolução da moeda de troca

Assim fora o embrião do que conhecemos hoje talvez como comércio, economia, globalização e etc.

Ok. Voltando ao objetivo de vida. As pessoas, neste mundo moderno, começaram a ver as “empacotadas” profissões visíveis na prateleira do mercado como objetivos e suas únicas opções no caminho profissional. Crianças, quase que na maioria das vezes, querem ser heróis enquanto adolescentes de 16/17 anos já devem escolher uma profissão e decidir o que vão fazer para o “resto de suas vidas”.

O ponto crítico dessa reflexão é: quais são as reais habilidades desses jovens? Como escolher uma faculdade de comunicação se você não acha que já tem como diferencial essa habilidade a mais do que outras pessoas? Como seguir a carreira de médico na família se você realmente gosta é de diplomacia e se dá muito bem com argumentações nos grupos de discussões do colégio?

Na Grécia Antiga, o que existia eram grupos de discussões. As chamadas Ágoras. Nelas, participavam pessoas interessadas em determinado assunto e tinham como objetivo gerar mais conhecimento em torno daquilo. Era uma conversa aberta. O conhecimento era realmente gerado de todas as frentes.

Ágora

Por que hoje quando cursamos uma faculdade, temos todas as aulas já planejadas e quase nunca temos a oportunidade de cursar aulas que estamos mais interessados do que outras? temos mesmo que gerar profissionais a partir de uma fórumula? No mundo da comunicação de hoje, como ensinamos a matéria de blogs, vlogs, memes e todas estas novas formas de comunicação? Será que espaço para criatividade baseada em teorias não seria muito mais produtivo? Afinal, queremos criar profissionais de agências ou profissionais de comunicação?

A grande pergunta que veio a minha cabeça quando li os textos e juntei os pontos foi: Qual a melhor carreira a seguir para gerar o maior impacto positivo na sociedade em que vivo? Digo, todos devemos ter o desejo de servir por um propósito maior. Seja este ser o melhor pai para sua família, um grande político com um belo objetivo humanista, uma pesquisadora de células tronco, uma ótima professora de primário, um grande professor de faculdade, um matemático, uma cientista neuromolecular. Não sei! Infinitas opções. Todos temos impacto no ambiente a nossa volta.

“People are not lazy. They simply have impotent goals — that is, goals that do not inspire them.” Tony Robbins

Pensando nisto, o modelo convencional de ensino nos leva a testar todas nossas habilidades antes de decidirmos por uma profissão ou uma carreira? Será que todos temos as oportunidades de nos desenvolver que deveríamos ter? Está mais do que provado que o que cria um grande profissional ou atleta é a soma de talento e trabalho duro. E que muitas vezes, trabalho duro supera o dom.

Portanto, estamos desperdiçando talento ao não darmos conhecimento e oportunidades para todos? Estamos atrasando o desenvolvimento da sociedade? Se um pequeno campo de barro no nordeste do Brasil pode levar um jogador de futebol talentoso a jogar em um dos maiores times da atualidade em Munique, o que pequenas escolas de mecânica poderiam dar vida se mais disseminadas fossem? E de programação? Ciências?

Vale a reflexão.