paranóica
Sep 2, 2018 · 2 min read

00:00 PM

Deitada, olhando pro teto, olhando pro teto a mais de 5 horas seguidas, olhando pro teto a mais de 5 horas seguidas sentindo meu corpo cada vez mais pesado, cada vez mais difícil de mover qualquer músculo sequer.

Dor, não consigo senti-la, apesar de senti-la tomar conta de cada parte do meu corpo, cada membro dói por não ter saído da mesma posição a 5 horas seguidas, mas o que quero dizer é que não consigo senti-la, não consigo porque tudo o que sinto é uma tristeza mesclada a uma apatia, sem nenhuma rasão. Sem nenhuma rasão? Ou será melhor dizendo com um acumulo de razões embrulhadas de presente e servidas de bandeja por um garçom chamado medo contendo em seu crachá o nome senhor ansiedade?!

Não sei, não tenho certeza, não consigo pensar direito, não penso porque meus pensamentos estão preenchendo involuntariamente cada espaço disponível para espontaneidade em minha caixa craniana, fazendo alguma espécie de casal em uma dança acelerada e fora de compasso com algo na minha caixa torácica. Algo que deveria bombear sangue, mas que no momento só bombeia um amontoado de desespero e conflito disfarçados de glóbulos brancos e vermelhos, desgovernadamente pelos meus vasos sanguíneos.

De repente tudo parece parar, minha cabeça volta a funcionar por livre e espontânea vontade, minha respiração volta a se regular, lentamente. Consigo mover meus braços vagarosamente, alcanço meu celular e vejo as mais de 10 ligações perdidas de diferentes pessoas, percebo as diversas mensagens não lidas e muito menos respondidas, sinto meu coração voltar a ser ritmado e calmo.

Olho pro horário e tão de repente quanto antes sinto tudo voltar e se esvair de pressa, sinto minha respiração quase sufocar e voltar a ofegar em questão de segundos ao perceber que não foram 5 horas seguidas, mas sim 5 dias inteiros na mesma posição e condição, e como se fosse me libertar ou me prender ai da mais a uma gaiola invisível sinto minhas bochechas serem molhadas e meu estômago revirar, disco um número sem nem pensar e espero até ouvir a porta do quarto ser aberta abruptamente.

Mais uma crise.

BY: V. Portela.

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