Das reflexões (aparentemente) do nada.
Em um mundo louco, confuso, caosuoso, espinhoso, doloroso, osso. E tudo que não se encaixa no osso, moldamos para que assim o faça. O mundo dos encaixes não pertencentes, mas não importa, porque o manco também se move. Pessoas tão acostumadas com a dor, frio, individualismo… que todos os adjetivos com sentidos contrários tornam-se estranhos e são, na maioria das vezes, rejeitados. Tão levianos que perdemos o controle, ou a falsa sensação de tê-lo tido, permanecendo na mediocridade confortável.
Inquietude. Afirmaria, se eu não estivesse inquieto com tal afirmação, que é o estado complementar à vida. À minha, pelo menos. Ao menos o menor ponto da existência e o único que posso falar por, por mim mesmo. Eu mesmo, tão insignificante quanto os indígenas sob os olhos dos prepotentes que estipulam um preço/prazo às suas vidas e terra. Terra esta que não é de ninguém, a não ser de todos nós (e ninguém sabe melhor disso do que os indígenas, que também merecem espaço). Todos nós que nos vemos como um, mas como um não vivemos, logo pois contra todos, ou boicotaríamos a nós mesmos. Mas, na real, assim já não fazemos?
Seguimos tentando evitar ferimentos e encontrar aqueles que buscam o mesmo que nós: liberdade e irmandade. Nos juntamos em movimentos de contracultura para, acima de tudo, proteger o pouco da esperança que ainda temos e sentir, embora de modo penoso, que alguma diferença (positiva) está surtindo. Mas a cultura da competitividade é massacrante, o que leva, muitas vezes, à competição entre os próprios movimentos que lutam contra ela. Até que ponto somos, honestamente, diferentes e queremos a igualdade real (recuso que seja utópica) a todos e não só, “simplesmente”, reverter os papéis? Para alcançar o que queremos, temos de, primeiro, alinhar nossa energia para com nosso objetivo. Não dá certo procurar felicidade sendo infeliz; buscar amor culminando o ódio (que é diferente de revolta: impulso de defesa); querer igualdade puxando o tapete do colega; ser diferente dos nossos pais (avós, bisavós, tataravós…), mas repetir seus passos. E isto serve tanto para os movimentos, quanto para cada um que neste planete habita (quiçá no universo todo, se julgarmos ter uma mesma lei física regente: receber aquilo que é transmitido).
Confesso não saber o que me levou a escrever este texto… talvez por desejo de gerar a reflexão. Os dois primeiros parágrafos escrevi há muito tempo, resolvi complementar hoje. Acho que mais importante do que saber onde quer chegar, é saber o que te motiva a caminhar. Ah, mais uma reflexão: não gosto de dizer que tenho certeza de algo. Ela sempre acaba, de alguma forma, me privando das outras inúmeras possibilidades (mas não nego aquela com a qual tenho mais afinidade).
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