Dos devaneios

Vic Fróes
Jul 22, 2017 · 2 min read

Inexpressivo, paralisado.

Vejo-me voando como um pássaro
Ou caindo como uma pena.
Sou leve, embora o mundo não sinta.
Sou humano, embora condenem quem não conseguem conter.

Sou transeunte pelas ideias,
Incomodo porque me livrei da cela.
Vou encontrar-me pelas diretrizes da vida.
Encontrar-me-ei pelas vertentes do acaso.

René Magritte

Afundo-me nessas poças de aparências.
Quanto mais adentro percebo
Que são falsas, …
… … talvez seja eu observando
De um ponto equivocado.

Em que esquina (trans)mudei?
Foi naquela em que decidi dar o primeiro passo?
Nunca mesmo fui bom em quebra cabeça…
Mas sempre senti estar caminhando,
Por vias meio incertas,
De modo atrapalhado,
Para o que me espera.

Há músicas que nos fazem sentir a vida toda
Como se fosse palpável e cabível num abraço.

Até uma pipa ensina
Que tem de se estar em movimento
Para não despencar
E tem de se proteger
Para ninguém a cortar.

Há algo de muito poético em pipas,
Mais ainda nas crianças que as soltam da lage.

Sinto-me dormente e arrepiado
De tanto estudar da janela este dia nublado.
E o som do dedilhado no violão
Embala-me em saudade do que ainda não vivi,
Traz uma felicidade, plenitude boa e paz
Com um gosto de esperança no amanhã,
Embora o jornal faça parecer que o mundo desmorona.

Ilusões inocentes,
Dá-me tranquilidade
No meio deste caos!


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