Quem me colocou aqui?


Eu espero encontrar-te nos becos e ruelas de uma vida mais amena. Eu espero no caos. No caos que tenho criado a cada passo incerto desde que aprendi a andar. Engraçado, as vezes sinto que voei a cada olhar trocado com uma paixão.

Embora por você eu estivesse disposto a cultivar o amor, entendo que para tudo tem hora e não estávamos em época de cultivo. Do nada a temperatura despencou e as placas tectônicas começaram a mover, fazendo surgir um abismo onde era nossa terra fértil e o som de nossas vozes se confundindo está nos últimos ecos neste terreno desconhecido.

Eu espero encontrar-te nos becos e ruelas de um universo lúcido. Agora o que me restam são minhas criações​ ilusórias, mas tão palpáveis e turbulentas que por dentro sinto-me afogar e por fora vejo-me imóvel, inerte nesta bolha imperfurável.

Por aqui vejo uns flashes e o mesmo filme, de novo e de novo. Parece essas gravações para lavagem cerebral, só que percebo as deformações no cenário, nas faces, no som… Querem que eu acredite que o mundo é preto no branco, porém não sabem que sou uma bomba de arco-íris esperando o momento certo de explodir todo este escambau.

Quem me colocou aqui?


Vic Fróes.

Twitter: @vicfroesab / emeio: vicfroesa@gmail.com

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