Resgate-se


Ora encontro-me em guerra com a escrita, ora somos amantes. Ora vejo meu corpo parado na esquina, ora perco-me em um lugar distante.

O espectro de luz que invade a janela convida-me para dançar, mas eu estou em guerra comigo, estou em guerra com tudo. Os dias são sombrios, embora o sol irradie — ele só faz martelar nossas cabeças. O mar não está propício para peixe, assim como a terra não está propícia à vida. Culpa de quem? Quem paga o pato?

Pergunto-me se não teria outro caminho, mesmo sabendo ter vários… Só não sei para onde e como seguir. Pior ainda é saber que não podes convencer todo mundo e que precisas de todos para mudar. Mudar a história, desviar da rota. Somos todos um, mas vivemos todos contra todos.

Enquanto reforçamos o sistema competitivo, enquanto lutamos cegos pela felicidade fabricada, quem está em cima continua nos usando de carruagem, nos chicoteando e rindo de nossa desorientação. Augustos dos Anjos escreveu em “Versos íntimos”:

O homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Encontrou alguma semelhança?

Desligue-se desta máquina que lhe fizeram crer que és. Tu sentes, eu sei que sentes. Pare um minuto e reflita. Lembre-se de quando e onde perdeu-se e resgate-se. Perceba o quão nocivo é este ambiente. Lute, antes, pela liberdade de ser quem és. Lute pela revolta, pelos teus direitos e deveres nesta terra de feras. Podemos parecer sozinhos, mas não somos.

No fundo todos querem viver em paz.

Tarsila do Amaral — Operários

Vic Fróes.

Twitter: vicfroesab / emeio: vicfroesa@gmail.com

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