Rugido

Trump diz:
Não será aceito transgêneros na área militar.
É foda…
Mas não chega nem perto
Da gente, raramente,
Concluir o ensino médio
E todas as chacotas no colégio
E os dias em que pensei
Me jogar de um prédio.
Pra somar, ainda tem os pastores
Da nossa Santa política laica
Querendo tirar meu direito de nascença,
Conquistado só com a Dilmãe no pseudo poder entre a gentalha:
Ter nome e identidade.
Tarde de mais,
Já sabem que nós existimos,
O nome social tá gravado na pele
E não tem mais como conter
Nosso rugido.
Pabllo Vittar tá na mídia,
Laerte é a maior cartunista,
João W. Nery é nome de lei
E eu tô aqui de pé mandando poesia.
Cuidado que discurso é estratégia de poder
E estamos esquematizando
O fim dessa hipocrisia,
Onde servir de espetáculo a gente tem vez
Mas andar na rua
Só se for na madruga no carro do freguês.
Chega!
As travestis, as trans e os trans
Terão seu espaço quando o sol bate mais forte amanhã.
Meio-dia.
Praia e mictório,
Praça pública e escritório,
Universidade e auditório,
Na arte e no cartório.
Fica esperto,
Não é a gente que vão encontrar na fila do purgatório.
Cura? Jura?
Jura que a cura
Cura o que sinto?
Por que não faz uma cura
Aos pais que abandonam o filho?
Ou cura o cara que estupra a mulher
Porque passou de shortinho?
Não interessa, podia estar de burca
Que o maldito sempre tem motivo:
Seu tesão doentio.
Minha única cura é ver mais de nós
Tendo voz,
Suporte nos hospitais,
De volta em casa, longe das ruas, porque foram aceitos pelos pais,
Cabeça erguida, peito estufado
E unidos,
Porque juntos somos sempre capazes.
Mais um da série: vômitos da alma.
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