Aumento de usuários de serviços de TV sob demanda provoca maior consumo de dados na internet brasileira

Até 2020, fluxo de dados deve aumentar em quase três vezes

por Victor Alves

O modo de assistir TV, no Brasil, vem mudando constantemente. Isso porque, nos últimos tempos, cresceu no país o número de usuários de Tv sob demanda — serviço de streaming via internet que permite acesso a diversos conteúdos, como filmes, séries e programas, a qualquer momento e utilizando diferentes plataformas, seja tablet, celular, computador, ou a própria televisão.

Segundo especialistas, o número de exabytes deve triplicar entre 2015 e 2020. Em 2015, foi registrado um fluxo de 1,7 exabyte por mês. Ou seja, espera-se que essa cifra chegue aos 4,1 exabytes, um volume que corresponde a aproximadamente sete trilhões de vídeos no YouTube.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), houve uma queda de 4,3% de assinantes de TV paga entre abril de 2015 e abril de 2016. Em contrapartida, tomando como exemplo o Netflix (serviço de streaming campeão de audiência no Brasil), o aumento de assinantes ficou na casa dos 77%, o que representa 13,8 milhões de novos usuários. Outros exemplos de empresas que operam nesse mercado são Mubi, Oldflix, Crunchyroll, Globo Play, Net Now e Apple TV.

Para o professor de Rádio e TV Rodrigo Arnaut, da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), o telespectador não tem mais aceitado receber conteúdo de forma passiva e busca nesses serviços de Tv sob demanda a liberdade que a TV linear não oferece. “O maior benefício dessas ferramentas é o empoderamento das pessoas”, defende Arnaut.

Apesar do crescimento do mercado de TV sob demanda e da maior penetração da internet, ainda há público que se mantém fiel à programação da TV linear. Marcel Della Negra, diretor do departamento online da Fox, que lançou no ano passado o Fox Play, reforça que o serviço sob demanda não vai afastar o público da TV linear. “A gente não acredita na canibalização da televisão. O serviço sob demanda complementa a TV. Hoje, a gente vê o nosso como uma opção a mais para ser um brinde para os clientes. Faz sentido haver um serviço para eles”, opina.

O programa “Ver TV”, da TV Brasil, promoveu um debate sobre TV sob demanda com o advogado Gilberto de Britto, especialista em direito audiovisual; o jornalista André Mermelstein, editor da revista Tela Viva e coordenador do Fórum Brasil de Televisão; e o psicólogo Dimas Dion, diretor da EraTransmidia, grupo de estudos de narrativas multiplataforma. Assista: