Netflix é boi de piranha do inchaço da ANCINE

Quem se deixa levar pelo algoritmo de recomendações de filmes da Netflix poderá com bastante frequência esbarrar pelas recomendações de filmes dos mais variados países (que para os menos ligados em semântica atendem pela singela nomenclatura de “filmes estrangeiros” ainda que não conste neles qualquer filme produzido nos EUA). Buscando ser um sapato que se ajuste ao pé de cada cliente, a política de aquisições e funcionamento da Netflix contempla o pluriculturalismo.

Uma reserva de mercado para produções nacionais, em qualquer País que seja, não irá necessariamente prejudicar sobremaneira a Netflix, pelo contrário, pode beneficiá-la com um subsídio a algo que ela já buscaria fazer. Pode até ficar quieta, mas a Netflix vai como boi de piranha para o inchaço e gostará da situação.

Na prática cagará para a limitação inexistente dadas suas políticas e até pode se utilizar da publicidade de produtora local de conteúdo, o que só pesa a favor de sua imagem, associado a uma boa política de vizinhança com caciques locais. Há espaço em seu modelo para ociosidade ou tal investimento. Quem sabe efetivamente até consiga produzir algo que preste em língua portuguesa apesar do escolha nada animadora.

Já na essência da coisa, na crítica liberal stricto sensu, a regulamentação ocorreria para alguém novo que entrasse enxuto com margens mínimas, ofertando só o fillet mignon, um novo player com novo modelo como a Netflix outrora foi. Limita quem ainda não entrou e já teria de chegar se adequando. Faz parte do jogo e a Netflix jogou bem, sem traumas. É assim que regulamentação pode atrapalhar mesmo quando parece que não atrapalha. É assim que a funciona a punhetação.