Da passarela para a sociedade

Para compreender como a sociedade vê a profissão de modelo e como as próprias modelos interagem entre si, conversamos com Cythya Braga e Gabrielle Silva, com o objetivo de compreender como elas veem a profissão, como o mercado funciona e como elas entraram nesse mundo.
Gabrielle Silva
Gabrielle é modelo há quatro anos e atua profissionalmente há dois anos e meio. Começando muito nova, aos 14 anos, ela tenta atualmente se firmar no mercado de Fortaleza.

- O que te fez virar modelo e como você enxerga sua profissão?
Eu acho que o que me fez virar modelo foi a insistência da minha mãe e das outras pessoas. Nunca foi um desejo meu, foi algo que eu fiz para agradar minha mãe e minha família, para ser motivo de orgulho para eles. Com o passar do tempo, eu acabei me apaixonando por essa profissão, apesar de seus altos e baixos. A carreira de modelo me fez enxergar o mundo de uma forma mais ampla, a convivência com outras pessoas, com outros ambientes, o conhecimento adquirido, tudo isso fez com que eu passasse a gostar de estar ali. Eu tenho orgulho do que eu faço.
2. Você faz alguma atividade além do trabalho como modelo?
Eu trabalhava como Jovem Aprendiz, mas depois que eu entrei para o curso de História da Universidade Federal do Ceará (UFC), eu não consegui conciliar tudo. Então hoje, eu só trabalho como modelo e estudo.
3.Como você vê o mercado da moda em Fortaleza?
O mercado é bastante promissor, de um certo ponto de vista. Mas tanto em Fortaleza, quanto no Ceará como um todo, é muito difícil. O mercado é muito concorrido e muito pequeno. Só agora ele está ganhando alguma visibilidade em virtude da ganhadora do Miss Brasil 2015, Melissa Gurgel, ser daqui. Várias modelos locais estão sendo lançadas no exterior. Mas ainda tem muito o que crescer, não é um bom lugar para se firmar.

4. Você enxerga a moda como um setor conservador?
De maneira nenhuma. As modelos ainda são muito má vistas, mas o mercado vem se modificando constantemente. Os estilistas ousam cada vez mais nas coleções e na forma de colocar as modelos nas passarelas, fotos com temas inovadores. O problema é que nós modelos, ainda somos muito associadas a prostituição e o Book Rosa é uma realidade do meio. Acontece de tudo no mercado na moda, tudo em função do dinheiro e do sucesso.
5. Como você vê a relação entre modelos brancas e negras?
Eu ainda não sofri nenhum preconceito ou exclusão de trabalhos pela minha cor, mas isso é a minha realidade. Existem vários preconceitos, entre modelos, entre estilista e modelo, no próprio mercado. Já aconteceu de modelos serem tiradas do desfile na “boca” da passarela por serem escuras demais para roupa, há casos de meninas negras que moram em apartamentos com outras modelos, onde só elas são negras e as outras são todas brancas e elas sofrem preconceito por causa disso. A hipersexualização que existe da mulher negra também é outra problemática que existe nesse universo, porque a partir do momento que estamos ali mostrando nossos corpos, as pessoas acham que estamos dispostas a qualquer coisa e nos enxergam como objetos.

Cynthya Braga
Cynthya, 19 anos, é modelo profissional há quatro anos e atualmente se prepara para ir para São Paulo em busca de se firmar no mercado da moda nacional e internacional.

- O que te fez virar modelo e como você enxerga sua profissão?
Na verdade, não era muito o que eu queria. Eu entrei nesse meio pela insistência das pessoas ao meu redor, que diziam que eu tinha o perfil, a altura, os requisitos para entrar no ramo. Desde muito nova eu já trabalhava em outras coisas, trabalho fixo, então eu nunca tive muito tempo para correr atrás disso. Só que com o passar do tempo, uma agência viu o meu perfil e gostou bastante, foi onde eu tive minha primeira oportunidade e comecei a ser modelo de fato. No início, o meu perfil era mais comercial, ou seja, eu era mais para fazer fotos, catálogos, coisas desse tipo. O fashion, que é o das modelos da passarela, era o meu desejo e eu tive que emagrecer para me adaptar a esse formato. Atualmente, eu sou tanto modelo fashion, quanto comercial. Então, eu vejo o meu trabalho como um trabalho sério. O dono da agência onde eu trabalho, é bastante rigoroso e eu me dedico de verdade, porque é onde eu desejo estar, eu realmente gosto do meu trabalho. Próxima semana, eu viajo para São Paulo para fazer seleção em algumas agências de lá.
2. Você faz alguma atividade além do trabalho como modelo?
Eu terminei o ensino médio e hoje o meu sonho é entrar na faculdade. Eu estava em outro emprego até uns dois meses atrás, do qual eu saí por causa da minha ida a São Paulo. Eu sempre conciliei outras atividades junto ao trabalho de modelo, porque o ramo aqui em Fortaleza não é muito favorável, então eu não consigo me manter apenas com o que eu ganho dele.

3. Como você vê o mercado da moda em Fortaleza?
O trabalho de modelo é bastante imprevisível, hoje pode ter muitos eventos, como amanhã já pode não ter nada. Como eu disse anteriormente, eu sempre tive outras atividades além dessa, e quando surgia algum trabalho eu tentava encaixar no meu dia-a-dia.
4. Você enxerga a moda como um setor conservador?
Existe um conservadorismo quanto ao modelo de corpo, o perfil das modelos, para ser modelo de passarela, o corpo tem que ser extremamente magro. No comercial, o formato de corpo já muda um pouco. Eu tenho muita esperança, que eles mudem um pouco o parâmetro de corpo, de ser tão magra e infelizmente isso faz com que pessoas fiquem doentes por fazerem dietas erradas, o psicológico também fica muito mexido por causa das pressões.

Universidade Federal do Ceará — UFC
Comunicação Social — Publicidade e Propaganda 2016.1
Sociologia e Comunicção
Prof.: Jawdat Abu El Haj
Equipe: Alberto Klyssmann, João Gabriel, Victor Alves e Victoria Hissa.
Fortaleza — CE
Foto de capa: Luciano Gomes
2016